A G Air Training Centre, escola sediada no aeródromo de Ponte de Sor, distrito de Portalegre, onde estava inscrito os filho do embaixador iraquiano em Portugal, deu início ao processo de expulsão do aluno.

O anúncio foi feito através de um comunicado no Facebook, depois do filho do embaixador do Iraque em Portugal ter agredido um jovem de 15 anos na cidade alentejana. 

A escola referiu que repudia o incidente ocorrido na madrugada de quarta-feira, numa rixa que envolveu “um aluno não residente” no câmpus da escola, acrescentando que, de acordo com o código de conduta da escola, “deu-se início ao processo de expulsão” do aluno.

Repudiando totalmente o ocorrido, estamos solidários com a família do jovem agredido. As ações do aluno são intoleráveis e atentam ao bom nome da escola e de todos os seus alunos e colaboradores”, lê-se no comunicado.

Na mesma rede social, em resposta aos cibernautas, a escola sublinha que “apenas uma das pessoas envolvidas” era aluno da G Air Training Center, descartando ligações da escola ao outro suspeito envolvido na rixa, que é também filho do embaixador iraquiano.

Escola abriu processo para expulsar filho do embaixador iraquiano em PortugalLegenda

O Ministério dos Negócios Estrangeiros também informou esta quinta-feira que “eventuais diligências diplomáticas poderão ser consideradas” no caso dos dois filhos do embaixador do Iraque em Portugal suspeitos de terem agredido um jovem de 15 anos em Ponte de Sor.

O caso em concreto está a ser devidamente acompanhado pelas autoridades judiciais competentes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros poderá servir de intermediários com a missão diplomática em questão se tal for solicitado. Eventuais diligências diplomáticas poderão ser consideradas, de acordo com o Direito Internacional, se tal vier a revelar-se necessário no decurso do processo”, refere o Ministério, em resposta a questões colocadas pela Lusa.

Os rapazes, ambos com 17 anos, suspeitos de terem agredido na quarta-feira um jovem de 15 anos em Ponte de Sor são filhos do embaixador do Iraque em Portugal e têm imunidade diplomática, disse esta quinta-feira à Lusa fonte ligada ao processo.

A vítima, de 15 anos, sofreu múltiplas fraturas alegadamente por outros dois rapazes de 17 anos, e foi transferido para Lisboa, segundo disseram à agência Lusa fontes do INEM e da GNR.

Fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse à Lusa que o rapaz "apresentava múltiplas fraturas, escoriações e perda de conhecimento" no momento em que foi assistido.

Sendo filhos de um chefe de missão diplomática, os jovens têm imunidade diplomática nos termos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A imunidade de jurisdição penal é absoluta e só pode ser objeto de levantamento ou renúncia por parte do Estado representado por essa missão diplomática”, esclarece o Ministério.

A imunidade diplomática é uma forma de imunidade legal que assegura às Missões diplomáticas inviolabilidade e aos diplomatas salvo-conduto, isenção fiscal e de outras prestações públicas, bem como de jurisdição civil e penal e de execução.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas prevê também no artigo 9 que o “Estado acreditador” possa a qualquer momento “e sem ser obrigado a justificar a sua decisão, notificar ao Estado acreditante que o chefe de missão ou qualquer membro do pessoal diplomático da missão é ‘persona no grata’”.