Fernando Paula Brito, diretor de informação da Agência Lusa, informou, esta quarta-feira, os seus editores que se vai demitir do cargo depois do  "Conselho de Administração da Lusa, através da sua PCA [presidente do Conselho de Administração, Teresa Marques]" ter decidido "realizar uma alteração na estrutura da Lusa que inclui a mudança do Diretor de Informação". Entretanto, soube-se que Pedro Camacho foi o escolhido para seu sucessor.

Numa nota à redação da agência de notícias, citada pelo Diário de Notícias , Fernando Paulo Brito informa que vai manter-se no cargo interinamente apenas até ao dia das legislativas, 4 de outubro.

"Essa decisão implica a saída de funções de toda a Direção de Informação. Fui informado pelos meus diretores adjuntos [os jornalistas Nuno Simas e Ricardo Jorge Pinto] que, solidariamente, apresentam a sua demissão. Assim, informo-vos que abandonarei o cargo de Diretor de Informação em 4 de outubro próximo". 


O diretor de informação termina a nota afirmando orgulhar-se de "ter coordenado o trabalho de uma direção, e de uma equipa de jornalistas, e de, juntos, termos, feito um trabalho seguindo critérios de isenção, rigor, independência e respeito pelo pluralismo".

O jornalista Pedro Camacho foi o escolhido pelo Conselho de Administração da Lusa para diretor de informação da agência de notícias, devendo assumir funções a 5 de outubro.

Segundo a presidente do Conselho de Administração da Lusa, Teresa Marques, a nomeação de Pedro Camacho aguarda parecer vinculativo da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) e do conselho de redação da agência de notícias.

Pedro Camacho foi jornalista do jornal Público e do Diário de Notícias e diretor da revista Visão.


Conselho de Administração justifica mudanças com necessidade de "dar mais estabilidade"


A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa indicou que já se reuniu com a presidente do Conselho de Administração (PCA) a propósito das mudanças em curso, que decorrem da "necessidade de dar mais estabilidade à empresa", segundo Teresa Marques.

A presidente do Conselho de Administração da Lusa, Teresa Marques, explicou que o afastamento do diretor de informação surge no âmbito da reorganização da agência, que pretende alguém com mais experiência de gestão no cargo, rejeitando qualquer intervenção da tutela.

Numa nota dirigida aos trabalhadores da empresa, a CT da Lusa refere que Teresa Marques lhe comunicou hoje "um conjunto de mudanças na agência" e acrescenta que, em concreto, "trata-se da divisão da Direção de Operações e Mercado (DOM), da redução das responsabilidades da Direção Administrativa e Financeira (DAF) e da destituição da Direção de Informação (DI)".

De acordo com a CT, "a divisão da DOM conduz à criação da Direção Comercial e Marketing e da Direção de Operações e Sistemas", ao mesmo tempo que "a DAF perde a função de Planeamento e Controlo de Gestão, que Teresa Marques chamou a si".

Já quanto à destituição da DI, a presidente da Lusa, Teresa Marques, justificou a decisão à CT com "a necessidade de a empresa ter um diretor de Informação mais sensível para a conjuntura da comunicação social, designadamente financeira".

Além disso, a nota da Comissão de Trabalhadores adianta também que o cargo de secretário-geral é extinto.

"A presidente do Conselho de Administração justificou o anúncio em simultâneo das mudanças com a necessidade de dar mais estabilidade à empresa e disse que o objetivo é ter uma empresa com procedimentos diferentes e outros resultados", lê-se também na nota.


Conselho de Redação questiona mudança em período pré-eleitoral


O CR informou que questionou a presidente do Conselho de Administração da agência de notícias sobre a mudança no período pré-eleitoral e se o momento “não poderá ter uma leitura política”.

Em comunicado, o CR refere que, durante a reunião, questionou Teresa Marques sobre o que a levou a mudar o diretor de informação no período pré-eleitoral e os motivos que estão na base dessa decisão, tendo “insistido na questão de o momento da escolha de mudança de DI poder ter uma leitura política (a um mês das eleições)”.

Teresa Marques respondeu aos elementos do CR que “é fundamental que a Lusa se mantenha autónoma e independente” e que “não é fundamental é ouvir que a DI muda quando muda o Governo”.

A presidente do Conselho de Administração acrescentou que “é um momento difícil mas não político”, porque momento político seria se a mudança fosse a seguir às eleições, garantindo que “não vai haver um mínimo de alteração em relação à forma como vai ser feita a cobertura das eleições”.
 

Editores "incrédulos"


Os 35 editores e editores-adjuntos da Lusa já manifestaram a sua “incredulidade” com o “momento escolhido” para afastar a Direção de Informação da agência noticiosa, considerando a decisão “inapropriada” devido à proximidade das legislativas.

“Manifestamos a nossa incredulidade perante o momento escolhido – a um mês de eleições – para o anúncio de uma reorganização a agência que implica a demissão do DI (Diretor de Informação) e a sua substituição em calendário coincidente com a data das legislativas”, referem numa posição conjunta distribuída na redação.


Na mensagem, os editores e editores-adjuntos consideram também “inapropriado que se efetue uma alteração na Direção de Informação da Lusa”, “sem colocar em causa a independência e qualidade do serviço”. “O anúncio hoje feito representa, em nosso entender, uma fragilização da imagem da Lusa”, salientam.

Os editores e editores-adjuntos manifestam também solidariedade com a Direção de Informação demissionária.