A Direção-Geral da Saúde pediu cuidados aos portugueses que viajarem para a África Ocidental, onde um surto de febre hemorrágica ébola já provocou mais de cem mortos.

O surto surgiu na Guiné-Conacri, no mês passado, e a Direção-Geral da Saúde lembra que também já foram confirmados casos na Libéria e que há suspeitas de ter alastrado ao Gana, Serra Leoa e Mali.

A Guiné-Bissau, país lusófono onde vivem muitos portugueses, faz fronteira com a Guiné-Conacri.

No comunicado divulgado esta quarta-feira e assinado pelo diretor-geral da Saúde, Francisco George, afirma-se que as medidas de controlo já desenvolvidas «poderão conter este surto e prevenir a propagação da doença», pelo que «o risco para os países europeus é considerado baixo». A Organização Mundial da Saúde (OMS) não desaconselha viagens para a região afetada.

Ainda assim a Direção-Geral da Saúde lembra, a quem viajar para a região, que as medidas de proteção individual são a única forma de prevenir a infeção, e lembra a necessidade de cuidados básicos de higiene, de não contacto com animais selvagens, de se evitar contacto com pessoas suspeitas da serem portadoras da doença ou de se cozinhar bem os alimentos de origem animal.

A Direção-Geral da Saúde recomenda ainda a necessidade de consultar o médico em caso de sintomas como febre alta (súbita), dores musculares, de cabeça, de garganta ou abdominais, vómitos, diarreia, dores no peito e hemorragias estranhas.

No regresso a Portugal, diz ainda o comunicado, deve-se vigiar o estado de saúde durante 21 dias e, em caso de algum sintoma, procurar ajuda médica, mencionando a viajem.

«Caso os sintomas se desenvolvam ainda durante o voo de regresso, no avião, deverá informar a tripulação imediatamente. O mesmo procedimento se aplica a viagens marítimas», pode ler-se no comunicado.

A epidemia na África Ocidental está entre as «mais assustadoras» desde o aparecimento da doença, há 40 anos, anunciou na terça-feira a OMS, que contabilizava 157 casos registados, só na Guiné-Conacri, dos quais 101 foram fatais.

Na segunda-feira, o diretor-geral de Saúde já tinha assegurado que Portugal está preparado para lidar com um eventual caso de ébola que chegue ao país, indicando que todas as regiões têm indicação de como proceder.