O Presidente da República revelou esta quarta-feira que as autoridades alemãs incluem o caso do desaparecimento do português Afonso Tiago em Berlim na categoria de casos que designam como «bruxedo», ou seja, algo «que não conseguem explicar», noticia a Lusa.

Apelo de ajuda a Cavaco

«Consideram o caso muito anormal. Fiquei a saber que o incluem numa categoria de casos a que atribuem a designação de "bruxedo", isto é, qualquer coisa que não conseguem explicar», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, durante um encontro com os jornalistas em Berlim, realizado no âmbito da visita de Estado que está a realizar à Alemanha até sexta-feira.

Esta revelação, adiantou, foi feita pelas autoridades de investigação alemãs durante uma conversa que tiveram esta semana com o embaixador português na Alemanha.

«As autoridades de investigação alemãs utilizaram mesmo essa expressão na conversa que tiveram com o embaixador português. É onde eles incluem todos aqueles casos que têm dificuldade em encontrar sinais que apontem para uma solução do mistério», precisou.

«Não há notícias novas»

Ainda de acordo com o chefe de Estado, a conversa do embaixador português com as autoridades de investigação alemãs aconteceu na segunda-feira, a seu pedido, mas, «infelizmente não há notícias novas» sobre o caso do Afonso Tiago, que desapareceu em Berlim a 10 de Janeiro.

«Mas, a minha convicção, em resultado daquilo que me foi dito quando levantei a questão, é que as autoridades de investigação alemãs estão a fazer tudo, tudo, o que está ao seu alcance para esclarecer o desaparecimento do Afonso Tiago», salientou.

Cavaco Silva fez ainda questão de exprimir a solidariedade aos familiares e amigos do investigador português, sublinhando que, neste momento, é apenas o que pode fazer.

«Solidariedade»

«O que posso fazer neste momento é apenas exprimir a minha solidariedade aos familiares e amigos do Afonso Tiago», disse, adiantando ainda que abordou esta questão durante os encontros que teve na terça-feira com o Presidente alemão e com o Burgomestre de Berlim.

Além disso, acrescentou, tem acompanhado o caso quer através das informações que chegam a Portugal da Alemanha, bem como também pelas informações fornecidas pela polícia e serviços portugueses, compreendendo a «ansiedade» que tem criado junto dos familiares e amigos do Afonso Tiago e até da opinião pública.

Natural de Oliveira de Azeméis, Afonso Tiago, 27 anos, estava na capital alemã há seis meses como investigador na Active Space Technologies, quando saiu com um grupo de amigos dos quais se separou já na madrugada de dia 10 dizendo que ia para casa, onde nunca chegou, e não voltou a ser visto desde então.