Dezenas de taxistas estiveram esta quarta-feira à tarde concentrados à porta das chegadas do aeroporto da Portela, em Lisboa, em protesto contra o serviço de transporte privado Uber. Durante algumas horas não houve serviço de táxis no local. Taxistas só desmobilizaram ao início da noite.

"Esta é uma manifestação espontânea, que surgiu depois de um taxista ter pedido a um agente da PSP para identificar um veículo da Uber e o agente mandou embora o veículo e autuou o taxista", explicou à Lusa Eduardo Cacais, da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), presente no local.

A atuação do agente da PSP “motivou este sentimento de revolta”: “Sentimo-nos lesados", disse.

“Há muito tempo que andamos a denunciar os problemas dos motoristas ilegais e clandestinos que nos andam a tirar trabalho”, afirmou Eduardo Cacais.

O membro da FPT disse ainda que têm sido recebidos pelos partidos com assento parlamentar, que “têm-se mostrado muito sensíveis, mas não há meio de resolverem o problema”.

Desde as 14:00 que até cerca das 19:00 não houve serviço de táxi no aeroporto. Os veículos estiveram parados nas praças de táxi e nas suas imediações, sendo visível a presença de um forte dispositivo da polícia na zona das chegadas, à saída do aeroporto.

Eduardo Cacais adiantou que “a PSP esteve a anotar as matrículas dos táxis” que estavam ali parados (fora das praças de táxi).

No protesto estiveram ainda presentes o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, e o presidente da FPT, Carlos Ramos.

Os dirigentes foram recebidos por um representante da ANA – Aeroportos de Portugal, pelas 16:00.

Quando saíram da reunião, seguiram para a residência oficial do primeiro-ministro. Os taxistas mantiveram-se em protesto no aeroporto até que estes representantes regressassem.

Os taxistas decidiram agora aguardar até sexta-feira para decidirem o que vão fazer, depois de hoje receberem a garantia de uma reunião com o Governo esta semana. A posição foi transmitida no local do protesto pelo presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos.

Uma delegação representativa dos taxistas, que protestam contra o serviço privado de transporte de passageiros Uber, deslocou-se até à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, onde recebeu a garantia de uma reunião através de um assessor de António Costa.

“Iremos aguardar até sexta-feira para saber o que vamos fazer”, afirmou o dirigente associativo.

Independentemente de serem recebidos ou não, a Federação Portuguesa do Táxi e a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) vão reunir-se na próxima semana para tomarem decisões em relação a este e outros assuntos.

Entretanto, após os incidentes no aeroporto de Lisboa, a Uber enviou um comunicado aos órgãos de comunicação social, no qual considera que "qualquer grupo tem o direito de se manifestar desde que de forma pacífica, e em respeito pela ordem e tranquilidade públicas. Esperamos que a moderação e o bom senso prevaleçam".

 "Na Uber, acreditamos que o diálogo e o entendimento mútuo com operadores no sector da mobilidade deve ser o caminho a seguir: estamos sempre abertos à discussão com todas as entidades públicas e privadas. Permanecemos empenhados em trazer uma alternativa de mobilidade urbana que beneficie utilizadores, motoristas e as próprias cidades", lê-se ainda na missiva.

Entretanto, o Governo fez também saber, em comunicado, que solicitou à Comissão Europeia informação sobre o serviço de transporte privado Uber, para a adoção de "uma estratégia comum".