Um dos advogados dos 18 arguidos do processo Remédio Santo», acusados de burlar o Serviço Nacional de Saúde em quatro milhões de euros, lamentou esta sexta-feira a decisão da Procuradoria-Geral da República, que pôs fim a acordos de pena.

«Tenho pena desta decisão, pois seria um marco histórico e a justiça portuguesa ganharia muito se houvesse este acordo. Os acordos em sentença de pena funcionam muito bem em países como a América ou a Alemanha, e custa-me a perceber que esta solução não seja adotada em Portugal. Não há vontade, mas espero que esta decisão não seja irredutível», referiu à agência Lusa Dantas Rodrigues, advogado e porta-voz dos restantes colegas, que explicou as vantagens de um eventual acordo.

«Ganhava-se na celeridade e deixava-se de gastar dinheiro no julgamento, que certamente se vai arrastar durante muito tempo. Para haver um acordo de sentença é preciso que o arguido confesse os factos, logo a admissão da culpa está assegurada. Além disso, os lesados ficam protegidos, pois recebem pelo dano causado», salientou o advogado.