O advogado do motorista de José Sócrates manifestou esta quinta-feira «profunda convicção» que, depois de João Perna ter prestado esclarecimentos, o Ministério Público irá propor uma medida de coação «mais adequada» e menos gravosa que a prisão preventiva.

Ricardo Candeias falava aos jornalistas no final do interrogatório complementar que João Perna prestou no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), estrutura do MP que investiga a «Operação Marquês» que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates e outros arguidos por económicos.

O defensor de João Perna disse «acreditar profundamente» que depois de o seu cliente ter respondido a todas as questões com «frontalidade» e «naturalidade», o MP deverá considerar a «situação» do arguido, que está em prisão preventiva, de modo a propor «num período muito curto» de tempo uma medida «mais adequada» para a sua situação.

Ricardo Candeias frisou que João Perna «está disposto e continuará disposto» a prestar os esclarecimentos que forem necessários aos investigadores para que o «mal-entendido» relativamente ao motorista de Sócrates seja «esclarecido».

Desta forma, insistiu que a defesa de João Perna «está confiante que haja uma decisão a curto prazo», da iniciativa do MP, que venha a ser «positiva» para ao arguido.

Questionado sobre se o estatuto de arrependido chegou a ser equacionado pelo arguido, Ricardo Candeias salientou que o assunto nunca chegou a estar «em cima da mesa», observando que a «questão não se coloca» porque João Perna «não tem razões para se arrepender de ter sido motorista de José Sócrates»

«Quanto a isso fica tudo muito claro», disse, negando que as estratégias de defesa dos vários arguidos estejam concertadas desde o início, apesar de haver pontos de coincidência.

A marcação do interrogatório complementar ocorreu dois dias depois de o advogado do motorista de José Sócrates entregar no DCIAP um requerimento a pedir a libertação de João Perna, invocando nulidades, relacionadas com a prisão preventiva do seu cliente.

José Sócrates está preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada num caso relacionado com alegada ocultação ilícita de património e transações financeiras no valor de vários milhões de euros.

Além de Sócrates e João Perna, no âmbito da mesma operação está ainda em prisão preventiva Carlos Santos Silva, empresário e amigo de longa data do ex-líder socialista.

O processo tem ainda como arguido o advogado Gonçalo Trindade, que está proibido de contactar com os restantes arguidos, de se ausentar para o estrangeiro, com a obrigação de entregar o passaporte e de se apresentar semanalmente no DCIAP.