A advogada de Pedro Dias, Mónica Quintela, assegurou, esta quinta-feira, à chegada ao Tribunal da Guarda, que o seu constituinte “irá contar tudo”. As declarações do fugitivo de Aguiar da Beira são esperadas, esta quinta-feira, em Tribunal, sendo que se manteve em silêncio ao longo de todo o julgamento.

O que eu posso dizer é que o senhor Pedro Dias irá aqui contar a versão que nós defesa conhecemos desde o início, a versão que nos contou no da em que se entregou”, disse a advogada aos jornalistas.

Mónica Quintela aproveitou ainda as declarações antes da audiência, à porta do tribunal, para justificar o silêncio de Pedro Dias até ao momento e alegou que é necessário “enquadrar” as ações do arguido.  

Em todos os julgamentos, sabemos que tem de haver um motivo para que as coisas aconteçam. Ou estamos perante um serial killer, uma pessoa que seja maluca e eu não saiba… ou quando um ser humano pratica qualquer facto, temos de o enquadrar nas circunstâncias devidas e perceber porque é que aquilo aconteceu. “

Mónica Quintela assegura que Pedro Dias “lastima profundamente tudo o que aconteceu” e diz que o arguido precisava que “o tribinal ouvisse a produção de prova, para que a seguir pudesse explicar e preencher os espaços que estivessem vazios”.  

“É a primeira vez que ele vai falar. Tem esse direito. É o arguido. Poderia ter ficado calado. Vai falar, estando plenamente consciente do que vai dizer.”

Em janeiro, chegou a estar agendada uma declaração de Pedro Dias em Tribunal, mas o arguido acabou por ficar em silêncio, porque faltariam dois relatórios pedidos pelo Tribunal. 

“Nada me surpreenderá”

Pedro Proença, o advogado dos agentes da GNR agredidos por Pedro Dias, ataca “a facilidade com que este arguido atira as responsabilidades para cima dos outros”. O advogado não coloca de parte a hipótese de Pedro Dias responsabilizar os militares pela morte do casal Liliane e Luís Pinto.

Nada me surpreenderá. O arguido vai não só entrar numa postura de vitimização, sendo que não é ele a vítima destes crimes. Ele é o arguido. Vais desposicionar-se em relação a esta qualidade. E provavelmente, estamos preparados para isso, cairá na tentação de atirar responsabilidades para cima de terceiros.”

Pedro Proença elogia a investigação do caso, classificando-a de exemplar: “A prova deste processo é sólida. É consistente. A investigação é exemplar e nada afasta o arguido da prática destes crimes. Mesmo em relação aos homicídios do casal Pinto.”

O advogado não hesita em dizer que espera que o arguido seja condenado à pena máxima.

“Se eu te apanhasse, matava-te”

Também esta quinta-feira, à chegada da carrinha celular onde seguia Pedro Dias ao Tribunal, a mãe de Liliane Pinto não escondeu a revolta. Atirou-se à carrinha celular e, aos murros ao carro, gritou: “Vais pagar, desgraçado! Se eu te apanhasse, matava-te!”.  

A mãe da mulher alegadamente baleada por Pedro Dias e que acabou por morrer depois de meses em coma teve de ser agarrada por agentes da PSP e retirada do local.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), Pedro Dias deverá alegar autodefesa para os disparos que mataram um militar da GNR e deixaram outro ferido, mas deverá negar qualquer envolvimento na morte de Luís e Liliane Pinto.

De acordo com o JN, Pedro Dias irá contrariar a acusação do Ministério Público e negará qualquer responsabilidade na morte de Luís e Liliane Pinto, o casal de Trancoso morto a tiro num carjacking na nacional 229, quando seguia a caminho de uma consulta de fertilidade em Coimbra.

De acordo com a irmã do arguido, no seu depoimento em Tribunal, Pedro Dias chorou quando soube da morte de Liliane, já que perdia uma testemunha que o poderia ilibar da acusação de homicídio do casal.