Os jovens autolesam-se porque estão em «grande sofrimento» e não para chamar à atenção da família, amigos ou professores, disse esta sexta-feira à Lusa o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa Diogo Guerreiro.

«Os miúdos que se autolesam têm, na sua grande maioria, problemas psiquiátricos, estão em grande sofrimento e sentem que ninguém os pode ajudar, por isso, quase nunca pedem ajuda clínica», afirmou.

Segundo Diogo Guerreiro, os jovens «castigam o corpo para aliviar a alma», comportamentos que se agravam com a idade adulta, assim como a possibilidade de cometer suicídio.«É preciso falar e dar mais importância a este assunto, tal como acabar com o estigma social da saúde mental», afirmou.

A «Autolesão e Adolescência» será tema de um simpósio a realizar no próximo sábado, no Auditório Carvalho Guerra, no Porto, organizado pela associação Mil Razões.

O painel de oradores engloba, além de Diogo Guerreiro, profissionais da área da psiquiatria, psicologia, sociologia ou ensino.

O psiquiatra afiançou que a tristeza constante, desinteresse escolar, dificuldades de comunicação e isolamento são os primeiros sinais de alerta.

Num contexto geral, a depressão, ansiedade, traumas, dificuldades em falar com os pais ou maus resultados escolares levam os jovens a queimarem-se, cortarem-se, baterem-se ou tomarem medicamentos em excesso, frisou.

Estes comportamentos são «secretos» e não detetados pela família, amigos, escola ou médico de família, salientou o professor.

Na opinião de Diogo Guerreiro, os adolescentes que se autolesam têm «menos expetativa de vida», por isso, consomem drogas, fumam e bebem mais do que o que deviam.

«Estes miúdos sentem uma fraqueza enorme, daí ser importante criar campanhas de sensibilização, tal como instruir a população para detetar os sinais de alerta», considerou.

Cerca de 7% dos jovens, na sua maioria raparigas, já tiveram comportamentos autolesivos, revelou um estudo que envolveu estudantes de 14 escolas públicas da área da Grande Lisboa.