O advogado do jovem que esfaqueou quatro pessoas numa escola em Massamá vai pedir ao Tribunal de Sintra a transferência do menor para uma clínica privada, por este se encontrar insatisfeito com tratamento em centro para delinquentes.

«O menor não está muito satisfeito em Coimbra. E temos vindo a insistir [junto do tribunal] para que seja colocado numa clínica privada», disse à agência Lusa o advogado Pedro Proença.

O advogado vai pedir esta terça-feira, em audiência, para que o tribunal de Menores de Sintra satisfaça a pretensão dos pais e do menor de idade que, em outubro, esfaqueou três colegas e uma funcionária da Escola Stuart de Carvalhais, em Massamá.

Segundo Pedro Proença, a instituição onde o jovem foi internado compulsivamente a 15 de outubro «está muito formatada para o acompanhamento de delinquentes», logo, fora do «perfil» do seu cliente.

«Esta é uma situação de saúde mental e não de delinquência. Ele sofre de depressão e precisa de acompanhamento especializado e ao que sei, ele não se estará a sentir suficientemente acompanhado», afirmou.

A 15 de outubro, o Tribunal de Família e Menores de Sintra ordenou o internamento compulsivo do menor numa instituição em Coimbra, para receber acompanhamento psiquiátrico.

No dia anterior, o jovem, com duas facas de cozinha e um spray de gás pimenta na mochila, segundo a PSP, terá feito explodir um «very light» num dos pavilhões da Escola Secundária Stuart Carvalhais, provocando a saída dos alunos das aulas e começando a esfaqueá-los.

Segundo informação policial, o jovem, de 15 anos, que acabou por esfaquear três colegas e uma funcionária, pretendia «imitar um massacre e matar, pelo menos, 60 pessoas», de acordo com uma folha A4 que se encontrava na mochila do menor quando este foi detido.

O suspeito referiu às autoridades que pretendia «imitar um massacre», dando como exemplo os casos do Instituto de Columbine e o da escola primária Sandy Hook (ambos nos Estados Unidos da América), culminando o plano com a sua «fuga e suicídio».

Na ocasião, questionado pela agência Lusa sobre este alegado plano, o advogado do jovem afirmou que «é extremamente rebuscado e quase uma infantilidade acreditar que aquele esboço permitiria alguma vez concretizar uma espécie de massacre à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos».