O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse, na Maia (Porto), que a visita agendada para farmacêutica Bial serve para “recolha de informação” e para “sinalizar confiança”.

“Vamos reunir com o Conselho de Administração da Bial e recolher aquilo que é o ponto de vista da empresa sobre a evolução dos casos, que apesar de tudo nos parece estar minorada nos seus impactos”, disse.

Na semana passada, seis voluntários, entre os 28 e os 49 anos, foram hospitalizados, depois de terem participado no ensaio clínico de Fase 1 para a Bial, que testava uma nova molécula, com atuação a nível do sistema nervoso central, com efeitos provavelmente como analgésico ou a nível de alterações de humor.

Um dos voluntários que participou no ensaio de medicamentos, conduzido por um laboratório privado em França para a farmacêutica portuguesa, faleceu no domingo e os restantes já tiveram alta.

“Temos estado em contacto com as autoridades francesas quer ao nível governativo quer ao nível das autoridades regulamentares”, disse o ministro da Saúde, no final de uma visita que efetuou durante a Manhã ao Centro de Conferências de faturas do Serviço Nacional de Saúde.

Segundo o ministro, “não pode um caso infeliz, grave e fortuito pôr em causa aquilo que é um ativo estratégico para o país representado por esta empresa, que integra o ‘health cluster’ e que tem sido muito importante para sinalizar uma área de investigação, de desenvolvimento e até de exportação”.

Assim, o objetivo da visita de hoje visa “perceber o que se passou, compreender e isolar este lamentável episódio, mas dar um sinal ao país que de que o Governo português confia nos agentes económicos e naqueles que dentro da economia fazem ciência, investigação e projetam o nome do país no estrangeiro”.

Adalberto Campos Fernandes defendeu que “o país precisa de empresas como a Bial e de experiências com a que estamos a visitar [Centro de Conferências de Faturas do Serviço Nacional de Saúde] para ser um país positivo que seja capaz num quadro de dificuldades orçamentais alimentar uma esperança diferente para as pessoas e dizer que com inteligência o país pode ser diferente, menos depressivo, menos triste e menos pessimista”, cita a Lusa.