O ministro da Saúde comprometeu-se esta sexta-feira, em Faro, a acabar até 31 de maio com as “dificuldades inaceitáveis” que a falta de médicos no Algarve tem provocado na região, assegurando a transferência para outras zonas do país dos doentes em lista de espera “inapropriadas”.

Eu comprometi-me que, até 31 de maio, nós não entraremos no verão com dificuldades inaceitáveis no Algarve”, disse Adalberto Campos Fernandes aos jornalistas no final da cerimónia de apresentação do Plano da Região de Saúde do Algarve e do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar da região.

O ministro da Saúde insistiu que, até 31 de maio, irá “tentar resolver muitas das dificuldades identificadas”.

Estamos a fazer tudo para reforçar localmente, mas o que não se resolveu em quatro anos não se vai resolver em quatro dias”, disse Campos Fernandes, acrescentando que o ministério irá tentar captar recursos humanos para a região e que os hospitais de Lisboa e Vale do Tejo estão disponíveis para “ajudar e responder de uma forma imediata”.

O ministro precisou que “qualquer doente [no Algarve] que esteja em lista de espera inapropriada tem a possibilidade, se assim o desejar, de ser tratado em Lisboa”.

Os hospitais públicos no Algarve sofrem, há vários anos, com a escassez de profissionais da saúde em várias especialidades.

Essa falta de médicos, entre outros profissionais, fez com que os responsáveis pela Saúde no Algarve tenham mesmo sugerido que se deviam cancelar provas desportivas na região durante o fim de semana, com receio da ocorrência de acidentes que viessem a necessitar de cuidados de médicos ortopedistas inexistentes.

Tudo farei para que isso não volte a acontecer”, disse o ministro da Saúde, acrescentando que “o Algarve tem tido ao longo dos anos uma carência de recursos pontuais e uma relação difícil entre os setores público e privado”.

As deficiências do Serviço Nacional de Saúde, no Algarve, têm ajudado ao aparecimento de muitas unidades privadas de medicina.

Adalberto Campos Fernandes pretende “motivar” médicos e profissionais da saúde a mudarem-se para a região, tendo dado como exemplo a criação do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, um consórcio entre a Universidade do Algarve e o Centro Hospitalar do Algarve.

O ministro da Saúde esteve durante a manhã na sessão de apresentação do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, que tem Joaquim Grave Ramalho como presidente do conselho de administração e integra ainda os vogais executivos Helena Leitão, Maria Teresa Luciano, Carlos Rosário dos Santos (diretor clínico) e Nuno Murcho (enfermeiro diretor).