O Ministério Público acusou 31 arguidos dos crimes de associação criminosa, corrupção, fraude, branqueamento de capitais e falsificação num caso que envolveu a criação de sociedades de fachada, divulgou esta segunda-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, ficou indiciado que, por iniciativa de um dos arguidos, que dirigia uma casa de câmbios, foi criado um grupo, liderado por aquele, a que aderiram dois outros arguidos e sócios de outra sociedade idêntica, à qual aderiram os restantes arguidos, com a finalidade de proceder ao branqueamento de dinheiro proveniente de atividades criminosas altamente organizadas.

A finalidade foi esconder a origem do dinheiro e integrar essas quantias no sistema financeiro legal, tendo o grupo utilizado sociedades de fachada e contas em nome de terceiros de boa-fé para dissimular a atividade criminosa, de âmbito transnacional e suscetível de colocar em risco a estabilidade do sistema financeiro e os interesses dos particulares.

A atividade delituosa dos arguidos - 29 pessoas e duas sociedades - decorreu entre finais de 2012 e abril de 2015.

A investigação foi, de acordo com a  Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, de grande complexidade e envolveu diferentes diligências, a nível nacional e internacional, incluindo perícias financeiras, contabilísticas e informáticas.

O Ministério Público requereu a perda a favor do Estado de grande número de bens apreendidos, designadamente computadores, veículos automóveis e elevadas quantias monetárias.

O Ministério Público deduziu ainda, em representação do Estado, um pedido de indemnização civil no montante global de 395.242,48 euros.

Um dos arguidos encontra-se em prisão preventiva e dois outros em prisão domiciliária, desde 23 de abril último.

O inquérito foi dirigido pela 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, com a colaboração da Unidade Nacional do Combate à Corrupção, Unidade de Perícias Financeiras e Contabilísticas e Unidade Informática, todas da PJ, e ainda a cooperação, entre outras instituições, da Autoridade Tributária.