O suspeito do homicídio do presidente em Portugal do grupo «Os Mosqueteiros», em Agosto de 2008, vai responder pelo crime de homicídio qualificado, revela o despacho de acusação, citado pela Lusa.

Segundo o Ministério Público (MP), o arguido, o cidadão francês Marc Lastavel, de 52 anos, combinou encontrar-se com o responsável do grupo, o empresário António Figueira, no dia 30 de Agosto do ano passado, no apartamento que o dirigente de «Os Mosqueteiros» tinha na cidade de Leiria.

Apartamento que o arguido deixara de ocupar dois dias antes, devido ao facto de o empresário, que era também proprietário dos supermercados Intermarché em Ourém, Leiria (Pousos e Marrazes) e Marinha Grande, ter mudado a fechadura, já depois de ter sido cortado o abastecimento de água e electricidade.

A procuradora-adjunta sustenta que para o encontro, o empresário fez-se acompanhar de outra pessoa, mas que Marc Lastavel, que foi administrador da loja Baobab, no Intermarché de Pousos até Abril passado, se manifestou «incomodado» com aquela presença.

O arguido «logrou, dessa forma, ficar a sós com aquele [empresário], como pretendia, para mais facilmente concretizar o seu desígnio de lhe pôr termo à vida», lê-se no despacho de acusação.

Segundo o MP, o acusado «começou, então, a discutir com ele sobre a substituição da fechadura e envolveu-se em luta com o mesmo».

Depois de prostrar o presidente em Portugal do grupo «Os Mosqueteiros», de 41 anos, Marc Lastavel «puxou-lhe os braços para trás, amarrou-lhe os pulsos, juntando-os, com recurso a fita adesiva de que se munira para esse fim».

Foi então buscar a arma, disparando nas costas do empresário.

«Agarrou, posteriormente, numa toalha de banho e enrolou-a à volta da cabeça e do tronco dele para que não pudesse respirar sem dificuldade e não fosse ouvido se lograsse gritar», sustenta o MP, acrescentando que António Figueira foi depois arrastado para debaixo da cama do quarto.

A procuradora-adjunta acrescenta que o empresário ficou a «agonizar».

Após limpar os «vestígios de sangue», Marc Lastavel, que se encontra detido no Estabelecimento Prisional de Lisboa, tirou ao empresário as chaves do carro, saindo cerca das 22:50, mas antes «fechando todos os compartimentos à chave» para «evitar que fosse ouvido qualquer gemido ou grito dele».

Segundo o MP, o francês deslocou-se depois a casa do empresário, casado e com duas filhas menores, em Ourém, onde permaneceu cerca de 12 minutos, tempo em que «percorreu diversos compartimentos».

«Deixou um trampolim encostado a uma parede do hall da entrada e muniu-se de um estojo próprio para guardar uma espingarda de caça», adianta o documento, acrescentando que depois o arguido entrou novamente no veículo no qual saiu de Portugal até ser detido a 04 de Setembro, em França.

Fonte ligada ao processo disse que o arguido vai ainda responder noutro processo pelos crimes de furto, detenção de arma proibida e violação de domicílio.

O facto de o mandado de detenção europeu que motivou a detenção do acusado apenas incluir o crime de homicídio terá determinado esta situação.