João Perna

João Perna, ex-motorista de José Sócrates

De anónimo a motorista de José Sócrates. João Perna foi o primeiro arguido da Operação Marquês a ser detido e, provavelmente, o que mais sentiu o peso da justiça.

Na noite de 20 de novembro de 2014, quando foi detido, tinha um emprego. Depois deixou de ter. Da prisão, passou para casa e, por fim, ficou em liberdade. Não voltou a encontrar trabalho fixo, faz o que vai aparecendo e a família tem sido o maior apoio.

Antes de trabalhar quase em exclusivo para Sócrates, João Perna era motorista da mãe do antigo governante.

Carlos Santos Silva

Carlos Santos Silva

A Operação Marquês nasceu com ele e em pouco tempo tornou-se “no amigo de Sócrates”. Carlos Santos Silva, foi o segundo arguido a ser detido e muito poucos sabiam quem era. 

Empresário ativo, com dezenas de empresas criadas, era tão discreto que apenas havia uma fotografia, junto de Sócrates, antes de uma corrida. Um dos desportos favoritos do ex-governante.

Apesar dos milhões de euros além-fronteiras, em contas das quais era o beneficiário, no dia-a-dia não aparentava grandes luxos. As contas envolvidas na investigação foram congeladas. E, assim, permanecem.

Depois de alguns meses em prisão preventiva, Carlos Santos Silva voltou a gerir algumas das suas empresas. Os negócios não correm como antes, mas vão dando para viver.

Armando Vara

Armando Vara

Armando Vara chegou a ser ministro num governo socialista, passou pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e pelo BCP. Antes do processo Marquês, a Justiça já tinha cruzado no seu caminho: no caso Face Oculta foi condenado a cinco anos de prisão.

Na verdade, foi esse processo que o afastou da vida pública. Mesmo assim ainda é administrador de empresas. Será CEO da Rightdemand, desde 2010, e gerente da "Gera-International Trading". Da primeira empresa aufere um salário de cerca de cinco mil euros. Da segunda, não aufere qualquer rendimento.

Mas o nome de Armando Vara consta ainda da lista de políticos que recebem uma subvenção vitalícia pelos cargos que ocuparam. Neste caso, o valor indicado ronda os dois mil euros.

Ricardo Salgado

Ricardo Salgado

Era conhecido como “Dono Disto Tudo”, mas sempre recusou o título. À frente de um dos maiores bancos portugueses mexia-se com facilidade no mundo financeiro e dos negócios.

É em 2014 que a justiça lhe bate à porta com a Operação Monte Branco e a resolução do BES. É o principio do fim. A Operação Marquês chega já em 2017.

Afastado da vida pública, a justiça também o proibiu de falar com diversas pessoas, familiares e não só. Não se conhece nenhuma ocupação laboral. Diz-se que está a preparar a sua defesa, fechado num escritório, cuja morada é desconhecida. 

Mas Ricardo Salgado, tem direito pelas funções que exerceu no Grupo Espírito Santo, a uma pensão assumida pelo Fundo de Pensões do Novo Banco. Um valor que não anda longe dos 39 mil euros mensais. No entanto, o ex-banqueiro já não pode contar com este complemento de reforma, porque foi arrestado pela justiça devido ao caso BES.

Hélder Bataglia

Hélder Bataglia

É no caso dos submarinos que o nome de Hélder Bataglia surge pela primeira vez nas notícias. Segue-se o Monte Branco e, agora, o processo que envolve José Sócrates. A viver em Angola há muitos anos, nenhuma destas investigações lhe afetou a forma de vida.

Tem negócios que vão da pesca à aviação, dos diamantes ao imobiliário. Apesar de ser arguido, está apenas sujeito à medida de coação mais leve: Termo de Identidade e Residência.

Henrique Granadeiro

Henrique Granadeiro

Afastou-se da carreira de gestor por culpa de investimentos ruinosos que assumiu enquanto administrador da Portugal Telecom, em papel comercial de uma holding do Grupo Espírito Santo.

Henrique Granadeiro acabou por rumar ao campo e dedicou-se à exploração agrícola, com destaque para os vinhos. Uma área à qual já estava ligado, antes da justiça cruzar o seu caminho. Em fevereiro de 2017 acaba por ser constituído arguido na Operação Marquês.

Tem herdades no Alentejo, mas uma delas – a Herdade do Vale do Rico Homem – já foi arrestada por ordem judicial. Tudo por causa do seu depoimento, e também pelas explicações de Ricardo Salgado, no caso que envolve Sócrates. (por qual processo?)

Henrique Granadeiro mantém o seu lugar na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, como vogal do conselho de administração. Apesar de ter apresentado a demissão quando foi constituído arguido, esta não foi aceite.

Zeinal Bava

Zeinal Bava

2014 terá sido o ano negro na carreira de Zeinal Bava. Tal como Henrique Granadeiro, decisões tomadas na PT determinaram o fim do ciclo. Recorde-se que Zeinal Bava recebeu diversos prémios entre 2009 e 2012, como melhor CEO de Portugal e até da Europa, com destaque no sector das telecomunicações. Foi mesmo agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial Classe Comercial, por Cavaco Silva, em junho de 2014.

E é, nesse ano, um mês depois (agosto de 2014), que acaba por ser afastado da administração da Portugal Telecom e de todos os cargos da empresa. Em outubro, do mesmo ano, renuncia ao cargo de diretor presidente da operadora brasileira OI, o único que mantinha.

Afastou-se da vida pública. Regressou a portugal por pouco tempo e partiu rumo a Londres. Atualmente, é profissional liberal e trabalha como consultor na área das telecomunicações.

A constituição de arguido na Operação Marquês só acontece em 2017.

José Sócrates

José Sócrates

O ex-governante tornou-se o rosto do processo Marquês. Nunca antes, em Portugal, um ex-primeiro-ministro tinha sido detido, tinha estado em prisão preventiva ou acusado de corrupção.

Habituado à liberdade e a uma vida de conforto, José Sócrates viu-se preso nas malhas da justiça e sem fonte de rendimentos desde novembro de 2014.

Na verdade, terá sido “falta de liquidez” nas contas que o fez assumir publicamente, que nos últimos anos, recorreu ao amigo de há 40 anos, Carlos Santos Silva como fonte de "alguns empréstimos". 

Enquanto esteve preso hipotecou o seu apartamento de luxo na Rua Castilho, junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. Mais tarde acabou por vender. Diz que usou parte do dinheiro para pagar os empréstimos feitos por Carlos Santos Silva e outra para pagar a hipoteca ao banco.

Em julho de 2016, assumiu também numa conferência de imprensa que pediu a subvenção vitalícia - uma prestação atribuída aos ex-políticos – e que é com esse valor que vive atualmente. Segundo uma lista ofical com os rendimentos, José Sócrates recebe dois mil trezentos e setenta e dois euros, por mês.