O Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, condenou hoje a penas que variam entre os nove anos e os quatro anos, sete dos nove arguidos envolvidos numa rede de tráfico de heroína e canábis do continente para São Miguel.

Segundo a acusação do Ministério Público, entre os arguidos estão dois homens detidos em Alcoentre e as companheiras, que enviavam a droga para São Miguel, que posteriormente era vendida na maior ilha açoriana por outros cinco arguidos.

A droga era enviada em encomendas expedidas por transitário e levantada em São Miguel, sendo que alguns dos réus alegaram, em julgamento, «dificuldades económicas» para o envolvimento neste esquema.

A acusação alegava que a distribuição da droga em São Miguel era efetuada por três dos acusados, irmãos de um dos detidos em Alcoentre, considerado o «líder» da rede.

Em julgamento, o homem negou a existência de um plano a partir da cadeia, mas hoje, na leitura do acórdão, o tribunal considerou que ficou provado que aquele arguido, reincidente, «geria» o negócio, sendo condenado a nove anos de prisão, enquanto a sua companheira foi condenada a cinco anos, com pena suspensa.

O tribunal condenou ainda os três irmãos, que distribuíam a droga em São Miguel junto dos consumidores, a penas de seis anos de prisão, cinco anos e seis meses de prisão e ainda seis anos e dois meses de prisão.

Já um outro casal, também com participação quando a droga chegava a São Miguel, foi condenado a cinco anos e cinco meses (o homem) e quatro anos e um mês (a mulher), ambos com pena suspensa.

O tribunal absolveu, no entanto, um outro arguido, que está também a cumprir uma pena em Alcoentre, e a companheira.

Na leitura do acórdão, o juiz José Vicente disse que, «na generalidade, os factos ficaram provados», mas «não se provou o tráfico na cadeia».

Segundo o juiz, três dos arguidos, incluindo o líder da rede, «há muito que se dedicavam ao tráfico», através de um esquema montado «com fidelidade familiar».

O tribunal sustenta ainda que os arguidos «uniram esforços para vender a droga em São Miguel» e tinham «um papel fundamental» no tráfico, «nos contactos», na «recolha» das embalagens quando chegavam aos Açores e na «distribuição» na ilha.