O capitão do porto de Ponta Delgada, nos Açores, disse esta terça-feira que “estão asseguradas as condições de segurança” para a continuação da utilização do porto, apesar de a cabeça do molhe ter sido danificada devido ao mau tempo.

“Da análise que já hoje foi feita por peritos da capitania e em termos de segurança para a navegação, a avaliação que fazemos é que quando as condições do mar melhorarem o porto pode continuar a ser praticado pela navegação”, assegurou o comandante Cruz Martins.

O capitão do porto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e de Vila do Porto, em Santa Maria, adiantou que vai ser feita nova avaliação às condições de segurança, uma atribuição da autoridade marítima, assim que as condições do mar o permitam.

“Evidentemente, nessa altura iremos analisar mais em pormenor, nomeadamente para termos a certeza onde é que ficaram depositados os blocos de cimento que foram arrastados do molhe, mas que terão ficado ali muito próximos, e, portanto, não se prevê nenhuma consequência em termos de segurança para a circulação da navegação que pratica o porto”, disse.

O responsável acrescentou que o “assinalamento marítimo” também está assegurado através do funcionamento do farol do porto de Ponta Delgada.

“O farol que está na ponta do porto continua operacional”, declarou, referindo que, apesar de o cabo que transporta a energia elétrica ter ficado partido, o equipamento “tem um sistema de alimentação redundante”, pelo que continua a funcionar.

Na segunda-feira, o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou que a cabeça do molhe do porto de Ponta Delgada foi danificada devido ao mau tempo que assolou o arquipélago.

No mesmo dia, a empresa pública que gere os portos nos Açores informou, em comunicado, que diversos portos do arquipélago sofreram “intensos galgamentos pelo mar muito alteroso que se fez sentir” e, pelo diagnóstico que foi efetuado, a situação mais gravosa foi no porto de Ponta Delgada, com “danos junto à cabeça do molhe, onde ocorreu o derrube de parte do muro cortina”.

“Foram também registadas inundações no edifício de exploração do porto de Ponta Delgada e há outros pequenos derrubes no coroamento do muro cortina, numa extensão ainda por avaliar”, adiantou na segunda-feira a Portos do Açores.

O comunicado assinalava ainda “galgamentos generalizados” no porto de Vila do Porto (ilha de Santa Maria), no porto de Pipas e marina de Angra do Heroísmo (Terceira), no porto da Calheta (São Jorge), no molhe de proteção exterior do porto das Lajes do Pico (Pico) e no molhe-cais do terminal marítimo de passageiros do porto da Horta (Faial).

Segundo a empresa, “a ocorrência mais expressiva” ocorreu no porto das Pipas, “onde há danos em alguns dos espaços comerciais”, bem como no edifício de controlo da marina de Angra.

As ilhas dos grupos oriental e central estiveram na segunda-feira sob aviso vermelho, o mais grave numa escala de quatro, devido às condições atmosféricas adversas.

O mau tempo provocou um morto e a Proteção Civil regional contabilizou 157 incidentes, tendo as operações de socorro envolvido 440 operacionais e 109 viaturas.

Escolas, tribunais e serviços municipais fecharam e mais de 1.600 passageiros ficaram em terra devido ao cancelamento de dezenas de voos.