Joana Maciel, uma das 61 passageiras que ia a bordo do navio "Mestre Simão", que encalhou no sábado, fez uma publicação na sua página de Facebook, onde conta, detalhadamente, o que sentiu até ao momento do resgate.

Apenas um "desabafo", como a própria referiu em declarações à TVI24, que, no entanto, está a emocionar a Internet e conta com mais de 950 partilhas e 250 comentários. 

Não foi a primeira vez - e felizmente também não foi a última - que Joana fez o percurso no sentido Faial - Pico, mas certamente foi a primeira vez que passou por algo semelhante. Minutos depois de ter iniciado a viagem, e sem que nada fizesse prever, o navio foi apanhado por uma onda, depois de uma manobra na "famosa" entrada no porto da Madalena. Assim que se deu o embate, Joana explicou como foram as primeiras reações:

Toda a gente muito confiante mas o inevitável aconteceu e o barco embateu nas rochas! As pessoas e a tripulação ficaram surpresas dentro do barco mas por incrível ficaram calmas... As perguntas começavam, «o que aconteceu? E agora?» Tudo olhava para a janela para perceber o que realmente estava a acontecer…. ", relatou Joana.  

No entanto, e como a própria descreve, "o pior estava para acontecer". Uma vez que as condições atmosféricas eram adversas, o mar começou a ficar agitado e com forte ondulação, situação que provocou alguma instabilidade no navio.

Os passageiros, que agora temiam pela sua vida dada a gravidade das circunstâncias, foram obrigados a vestir os coletes e a seguir as medidas de segurança previstas para este tipo de situações.

O som do casco a rasgar nas rochas enquanto começou a baloiçar… O barco baloiçava para a direita, tudo caía para a direita, pessoas a escorregar, miúdos a gritar, o terror nos olhos da população e da tripulação, ninguém estava a perceber o que estava a acontecer (...) Aí começa o mestre a falar ao altifalante, que estava connosco para ter calma e para vestir o colete… «Vestir colete?» Aos anos que viajo neste barco e nem sabia onde estavam os coletes de salvação.", desabafou. 

De seguida, deram-se gritos, soltaram-se lágrimas e o medo tomou conta de todos os que lá estavam. Enquanto aguardavam por ajuda exterior, o comandante e a tripulação reuniam todos os esforços para acalmar os passageiros, ao mesmo tempo que garantiam que todas as medidas de segurança estavam a ser cumpridas. 

Até que, minutos mais tarde, "primeiro as crianças, depois senhoras, depois homens, a tripulação, e por fim o mestre", começaram, finalmente, a abandonar o barco e puderam respirar de alívio. 

"Não consegui dormir nada nessa noite por causa de tudo o que se passou", contou Joana à TVI24. 

Os últimos parágrafos no texto de Joana Maciel são de agredecimento ao mestre e aos restantes membros da tripulação, que salvaram dezenas de vidas, "mesmo com poucos recursos". 

"Hoje ia acontecendo uma tragédia, mas dentro do barco fez-se tudo o que se podia fazer. Foi tripulação que evitou essa tragédia (...) Amanhã voltarei às minhas travessias entre o Pico e o Faial como de costume, mas com uma maior admiração e respeito por esta tripulação.", confessou Joana.