A Câmara da Praia da Vitória, concelho onde está localizada a Base das Lajes, nos Açores, considera que o «alegado interesse» dos EUA na estrutura militar de Beja «pode desvalorizar» o destacamento açoriano.

O município da Praia da Vitória «vê com preocupação este episódio porque o mesmo indicia que, nas negociações diplomáticas em curso, estão a ser equacionadas soluções que, a médio-prazo, podem desvalorizar a base das Lajes e justificar a diminuição do efetivo militar norte-americano, com impacto significativo na economia e sociedade locais», refere a autarquia em comunicado.

O município «exige clarificação» da situação e refere estranhar a «recetividade», o «silêncio e a aparente inércia» do Governo da República, defendendo que os esforços diplomáticos devem proteger o concelho e as suas populações, em particular «as famílias que, direta ou indiretamente, dependem daquela infraestrutura».

Nesse âmbito, a autarquia solicita às autoridades norte-americanas e portuguesas a apresentação, no mais breve período de tempo, de um pacote de medidas «concretas e eficazes que reduzam o impacto da redução militar americana na Base das Lajes».

O município recorda que já foi concretizado um plano de reduções para o qual não existe qualquer contrapartida.

O município exige, assim, que «todas as partes envolvidas neste processo assumam, publicamente, as suas posições e informem a população da Praia da Vitória sobre as negociações, uma vez que todo o ruído e incertezas que têm vindo a ser criados em torno deste assunto fragilizam esta comunidade».

O presidente do Governo dos Açores escreveu ao primeiro-ministro a pedir esclarecimentos sobre o «alegado interesse» dos Estados Unidos da América na base militar de Veja, considerando que não está «devidamente resolvida» a questão das Lajes.

Vasco Cordeiro disse hoje que «oficialmente» o Governo dos Açores não foi informado desse alegado interesse, como noticiaram no sábado os jornais Público e Expresso.

Os EUA tinham anunciado a intenção de reduzir significativamente o contingente que têm nas Lajes, na ilha Terceira, já este ano, mas a decisão está suspensa, aguardando-se neste momento um relatório da Secretaria da Defesa dos EUA sobre as bases que o país tem na Europa.

Está também em discussão no congresso dos EUA uma iniciativa, subscrita por 40 congressistas, que propõe a utilização das Lajes como base do AFRICOM, o comando norte-americano para África.