Os governos nacional e açoriano têm procurado «insistentemente» outras utilizações para a base das Lajes, mas ainda sem resultados, disse na terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, que espera uma decisão positiva dos Estados Unidos sobre a base açoriana.

Rui Machete, que falava na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, adiantou que estão a ser «insistentemente procuradas outras utilizações para as Lajes», incluindo usos militares, mas «até agora, não houve ainda resultados concretos, o que não significa que não se continue a procurar».

O governante português recordou que os Estados Unidos retardaram a diminuição dos efetivos e vão reapreciar o futuro da base que possuem na ilha Terceira, existindo ainda o «empenhamento do secretário de Estado [norte-americano John] Kerry e as garantias de diligências» que este transmitiu ao executivo, num encontro recente com Machete.

«Temos esperança que o resultado final seja melhor do que o ponto de partida, mas não podemos saber exatamente qual, e as alternativas têm de continuar a ser procuradas», declarou o ministro.

«Estamos abertos a outras utilizações na base das Lajes que não sejam militares. Mas as coisas não são fáceis e não se criam facilmente postos de trabalho integrados numa atividade de caráter produtivo. O Governo Regional reconhece essa dificuldade. Continuamos a procurar. Temos esperança que alguns resultados se obtenham», sustentou.

Rui Machete aproveitou para agradecer ao presidente do Governo Regional dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, pela sua «excelente colaboração nesta matéria».

«O interesse nacional e o interesse dos Açores não são contraditórios, muito pelo contrário, complementam-se e reforçam-se», sublinhou.

O deputado do CDS José Lino Ramos questionara o ministro sobre a possibilidade de a ilha açoriana vir a ser procurada pela Marinha norte-americana, algo para que Rui Machete diz ter sido importante a manifestação da disponibilidade da base das Lajes para receber o transbordo dos materiais químicos provenientes da Síria.

«Serviu para sublinhar a vantagem da ponto de vista estratégico dos Açores para a Marinha americana. Colocou a diplomacia portuguesa no centro de uma operação extremamente importante e difícil e nada garante que fique por aqui», referiu Machete.

Também Pedro Filipe Soares (Bloco de Esquerda) questionara o governante sobre a possibilidade de outras utilizações nas Lajes, nomeadamente para a aviação civil e para os navios de grandes dimensões que atravessarão o canal do Panamá após o alargamento.

«Somos contra a presença do contingente militar na base das Lajes. Só serve para fazer guerra. A importância da base das Lajes enquanto ponto geoestratégico foi para espaço de reabastecimento de bombardeiros», criticou o bloquista, a quem o ministro respondeu que «a atitude pacifista não conduz a resultados positivos, mas a subserviência».

Na audição, o governante foi ainda questionado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda sobre a existência de uma célula dos serviços secretos norte-americanos (NSA) em Portugal e que diligência tomou junto das autoridades dos Estados Unidos.

«Não me foram apresentadas provas da atuação do NSA no nosso território», disse, acrescentando que a matéria foi discutida «em vários conselhos de ministros» da União Europeia, que emitiu uma «ação concertada que Portugal subscreveu».