O período mais crítico do furacão ‘Alex’ nos Açores durante a hora do almoço desta sexta-feirana região, quando se prevê a sua passagem em cima do arquipélago, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Cerca das 10:00, num ponto da situação feito à TVI24 pelo meteorologista Nuno Moreira do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o furacão  'Alex' seguia o curso prevista, mas com aparente menor intensidade, encontrando-se a 100 quilómetros sul da ilha Terceira e a 90 quilómetros oeste de São Miguel.

"Deverá chegar pelas 12:00/13:00, por volta da hora do almoço nos Açores será a altura em que, de acordo com o que está previsto, a trajetória deverá seguir em relação à ilha Terceira , mas atenção que os ventos fortes poderão atingir qualquer uma das ilhas nessa fase de maior pico de intensidade de vento", explica o meteorologista à jornalista Conceição Queiroz.

Várias ilhas valores de queda de precipitação que ultrapassam os 10 litros por metro quadrado”, referiu a meteorologista, adiantando que no caso do vento já se registaram rajadas máximas de 90 quilómetros/hora no grupo central.
 
 

Ha cerca de 2 h, centro do furacão ALEX encontrava-se a cerca de 530 km da ilha Terceira.

Publicado por IPMA - Delegação Regional dos Açores em  Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

O IPMA anunciou que o furacão ‘Alex’ mantém as características previstas para a sua passagem nos Açores, apesar de apresentar indícios “de algum enfraquecimento na sua estrutura”.

Um comunicado disponível na página do Facebook da delegação regional dos Açores do IPMA informa que, de acordo com o centro de Furacões de Miami (EUA), o centro do furacão ‘Alex’ encontrava-se às 2:00 (mais uma hora em Lisboa) "a cerca de 445 quilómetros a su-sueste do Faial, dirigindo-se para norte com uma velocidade de cerca de 35 km/h, o que implica a sua passagem sobre as ilhas do grupo central dos Açores durante a manhã”.

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“Muito embora haja indícios de algum enfraquecimento na sua estrutura, o ‘Alex’ deverá manter no essencial as características inicialmente previstas durante a sua passagem nos Açores”, esclarece o IPMA, observando que se mantém a previsão de precipitação forte, ventos com rajadas que podem atingir os 160 km/h e ondas com altura máxima de 18 metros” neste grupo, constituído pelas ilhas da Graciosa, Faial, Pico, São Jorge e Terceira.

De acordo com a meteorologista Fernanda Carvalho, da delegação regional dos Açores do IPMA, “este enfraquecimento não é relevante para as condições do tempo durante a passagem do furacão nos Açores, uma vez que deverá manter as características da categoria 1”.

“Em termos de rajada, temos assistido gradualmente a um aumento da intensidade do vento e, neste momento, perto dos 80 km/hora, sendo que a precipitação, de uma maneira geral, está a ser contínua em todas as estações meteorológicas do grupo oriental e algumas estações do grupo central”, declarou a meteorologista pelas 03:15 (4:15 em Lisboa), à agência Lusa.

O grupo oriental (São Miguel e Santa Maria) “será afetado com menos intensidade, com ventos com rajadas na ordem dos 130 km/h, ondas que podem ultrapassar os nove metros e precipitação forte”, adianta o mesmo comunicado, acrescentando que “ao longo da tarde deverá verificar-se uma melhoria do estado do tempo nas ilhas dos referidos grupos”.


Madrugada sem incidentes


A Proteção Civil dos Açores não registou incidentes até às 05:00 (mais uma hora em Lisboa) desta sexta-feira, apesar de já se sentirem no arquipélago os efeitos do furacão ‘Alex’, informou aquele organismo.

Em comunicado, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores anuncia que “durante a madrugada não se registaram quaisquer ocorrências em nenhuma das ilhas dos Açores” e pede à população que se mantenha atenta às informações divulgadas por esta entidade ou por membros do Governo Regional.

O chefe do Governo Regional acompanhou os trabalhos da Proteção Civil e mostrou-se preocupado com o estado do mar. 

A Proteção Civil adianta que as 14 corporações de bombeiros dos Açores se mantêm em “estado de alerta”, assim como outros serviços, aconselhando para as próximas horas a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas e a retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas.
 

Um arquipélago parado à espera de “Alex”


Hoje, os tribunais dos dois grupos vão estar encerrados, enquanto nas escolas das sete ilhas não haverá aulas, assim como nos três polos da Universidade dos Açores, que funcionam em Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial).

O Governo Regional recomendou ainda o encerramento das creches e jardins-de-infância, tendo o presidente do executivo, Vasco Cordeiro, determinado o fecho dos serviços da administração regional para as sete ilhas.
A exceção são “os serviços considerados urgentes e essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, serviços de proteção civil, assim como os demais considerados pelos respetivos diretores regionais da tutela”.

Também pelo menos seis municípios – Praia da Vitória (Terceira), Nordeste, Povoação e Ponta Delgada (São Miguel) e Lajes e São Roque (ambos do Pico) – decidiram pelo encerramento dos serviços.
A Base das Lajes está fechada, pela primeira vez, desde o 11 de Setembro.

Tudo para evitar uma situação semelhante àquela que ocorreu em dezembro, quando as condições meteorológicas adversas acabaram por provocar uma morte no arquipélago. 

O IPMA emitiu para as ilhas do grupo central aviso vermelho para chuva que vigora até às 14:00 desta sexta-feira, enquanto o mesmo aviso para a agitação marítima mantém-se entre as 05:00 e as 15:00.

Igual aviso vermelho, o mais grave numa escala de quatro, que representa uma situação meteorológica de risco extremo, mas para o vento, está em vigor entre as 05:00 e as 14:00 no mesmo grupo.

Para o grupo oriental foi também emitido um aviso vermelho para chuva até às 14:00 e para vento entre as 05:00 e as 13:00. A agitação marítima tem o mesmo aviso meteorológico entre as 05:00 e as 14:00.

À população é solicitada ainda “a adequada fixação de estruturas soltas, como andaimes ou placardes e outras estruturas montadas ou suspensas”, e a consolidação de telhas, portas e janelas.

A Proteção Civil recomenda igualmente um “especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas”, alertando que não devem “ser realizadas atividades relacionadas com o mar, nem ao ar livre”.
 
 O furacão 'Alex' é o primeiro fenómeno meteorológico desta natureza a acontecer no mês de janeiro em quase 80 anos, de acordo com meteorologistas norte-americanos.