Petição online contra acordo ortográfico

Personalidades da cultura, política e economia acusam reforma da maneira de escrever de ser «mal concebida», «desconchavada», «perniciosa» e «desnecessária»

Por: Redação / JF    |   3 de Maio de 2008 às 10:52
Um Manifesto/Petição contra o Acordo Ortográfico circula desde sexta-feira online, assinado por 19 personalidades ligadas à cultura, política e economia, que acusam esta reforma da maneira de escrever de ser «mal concebida», «desconchavada», «perniciosa» e «desnecessária».

Escreve a Lusa que os signatários sustentam que o Acordo Ortográfico «não tem condições» para servir de base a qualquer proposta normativa. Descrevem-no como uma «reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor e nas suas prescrições atentatória da defesa da Língua» e do modelo de cultura português. «Reforma não só desnecessária, mas perniciosa e de custos financeiros não calculados».

Os signatários criticam o «chamado» Acordo Ortográfico pelas suas «imprecisões», «erros» e «ambiguidades». Consideram ainda «inaceitável» a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes «mudas», lembrando que muitas delas se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.

Petição contra o Acordo Ortográfico. Clique aqui

O documento contesta o carácter «facultativo» que o texto do Acordo prevê para numerosos casos, considerando que assim fomenta a «confusão» e exortam a que se estabeleçam «regras claras» para a integração das palavras de outras línguas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, de Timor-Leste e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia de Língua Portuguesa.

Os signatários assinalam nesta petição o «aviltamento inaceitável» a que chegou o uso oral e escrito da Língua Portuguesa, considerando que esta degradação «fere irremediavelmente» a identidade multissecular de Portugal e o seu riquíssimo legado civilizacional que urge transmitir aos vindouros.

Responsabilizam em particular os meios de comunicação social por esta degradação, mas é ao Estado que apontam baterias por ter «desagregado» o sistema educacional «hoje sem qualidade», designadamente «impondo programas de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História».

Lamentam que se tenha avançado para este Acordo «atabalhoadamente» sem se ter ponderado os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do professor Óscar Lopes, e sem a consulta de escritores, cientistas, historiadores e organizações de carácter cultural e investigação científica. Finalmente, exortam o Ministério da Educação a «repor o estudo da Literatura Portuguesa na sua dignidade formativa».

Assinam o manifesto Ana Isabel Buescu, António Emiliano, António Lobo Xavier, Eduardo Lourenço, Helena Buescu, Jorge Morais Barbosa, Pacheco Pereira, José da Silva Peneda, Laura Bulger, Luís Fagundes Duarte, Maria Alzira Seixo, Mário Cláudio, Miguel Veiga, Paulo Teixeira Pinto, Rosado Fernandes, Vasco Graça Moura, Vítor Manuel Aguiar e Silva, Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho e Zita Seabra.
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