Por: Redacção / TG | 24- 4- 2009 12: 51
Portugal «está atrasado na aplicação do Acordo Ortográfico» e a «bola está do lado do Governo», declarou o linguista e
académico João Malaca Casteleiro, que participou na sua elaboração, informou a Lusa.
O professor e membro da Academia
de Ciências de Lisboa, que coordenou o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea editado em 2001, falava quinta-feira
à noite numa tertúlia promovida pela Biblioteca Municipal da Covilhã.
«A bola está do lado do Governo», respondeu
quando questionado sobre quando é que o Acordo vai passar a vigorar.
«Trata-se de uma decisão política»
«Neste
momento - frisou - trata-se de uma decisão política, de estabelecer uma data de quando é que o acordo entra em vigor, nomeadamente
nos diferentes graus de ensino, nos manuais escolares, nos jornais e nos organismos do Governo».
«Estamos atrasados,
porque, nestas coisas, candeia que vai à frente alumia duas vezes», observou.
«O Brasil com 200 milhões de falantes
- argumentou - já decidiu e Portugal, que é o berço da língua, não decide. Esta situação a nível internacional é muito mal
recebida. Quando Portugal se decidir, os outros países também entrarão nesta onda de adoptar a nova ortografia».
Segundo
Malaca Casteleiro, o Acordo carece ainda da publicação de vocabulário mais amplo, mas as obras que já estão no mercado «do
ponto de vista pedagógico e didáctico são suficientes».
Para o académico, a petição contra o Acordo Ortográfico (iniciativa
do escritor Vasco Graça Moura subscrita por mais de 33.000 pessoas) «tem espaço para discussão no que respeita à aplicação
do acordo», relativamente a questões «pragmáticas» ao nível da formação, junto de professores e alunos.
«Mas não
tem espaço no que respeita à revisão do Acordo. A revisão implicaria uma nova negociação, o que é extremamente complicado
e não se justifica», vincou.
«Questão de teimosia»
Durante a tertúlia, Malaca Casteleiro comentou
ainda a posição de José Saramago, escritor português Nobel da Literatura, que já disse que não mudará a sua maneira de escrever.
«É
uma questão de teimosia - considerou - Acho que não compreende bem a função do Acordo Ortográfico. Coloca-se no pedestal da
sua importância, inegável do ponto de vista literário, para atacar uma questão em relação à qual não acho que tenha razão».
Em
Portugal, o segundo protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a sua entrada em vigor, foi aprovado
no Parlamento em Maio e promulgado pelo Presidente da República em Julho.
O Acordo Ortográfico foi aprovado em Dezembro
de 1990 por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, porque
Timor-Leste só aderiu em 2004, após a independência face à Indonésia.
Para vigorar, o acordo tem de estar ratificado
por um mínimo de três dos oito países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil, seguidos
de Portugal.
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