As Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) da Autoridade Nacional de Proteção Civil ajudaram, nos últimos três anos, mais de mil bombeiros e familiares, que passaram por situações traumáticas, como acidentes graves ou mortes em incêndios florestais.

Criadas em 2011, as EAPS, constituídas por bombeiros voluntários que simultaneamente são psicólogos e assistentes sociais, prestam apoio psicológico e social aos bombeiros e às suas famílias.

“O apoio psicossocial aos bombeiros tem a ver com uma resposta no âmbito da saúde ocupacional que todas as profissionais que atuam em contexto de emergência devem ter, independentemente de ser ou não voluntários”, disse à agência Lusa o responsável pela Divisão de Segurança, Saúde e Estatuto Social da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Rui Ângelo adiantou que este apoio é prestado aos bombeiros expostos a acidentes ou incidentes potencialmente traumáticos, bem como aos seus familiares.

Estas equipas são chamadas para atuar em caso de acidentes rodoviários, ameaça efetiva de vida, exposição a vítimas mortais, incidentes com crianças e morte de bombeiros.

Como exemplo, Rui Ângelo referiu que este apoio é prestado quando “uma equipa de bombeiros fica cercada num incêndio e acaba por não ter danos físicos, mas sentem que a sua vida esteve por um fio” ou quando os bombeiros lidam com vítimas conhecidas, uma situação muito comum nas regiões do interior.

Quando morre um bombeiro, o apoio psicológico é prestado aos familiares e colegas de quartel.

“Quando morre um bombeiro e, infelizmente praticamente todos os anos têm morrido bombeiros, damos apoio aos colegas do bombeiro e aos próprios familiares”, disse, adiantando que depois da ajuda de emergência e, caso se justifique, há um reencaminhamento para o Serviço Nacional de Saúde.

Segundo dados da ANPC, as EPAS prestaram apoio psicológico e social a 1.074 bombeiros e respetivas famílias nos últimos três anos, sendo a maior parte das intervenções relacionadas com incêndios florestais e situações pré-hospitalares, quando está em causa gestão de emoções.

Com um total de 446 intervenções, 2013 foi ano em que as equipas mais apoio psicológico prestaram aos bombeiros e familiares, uma vez que morreram oito voluntários em combate.

Em 2014, as EPAS realizaram 325 intervenções, número que baixou para 303, no ano passado.

“2013 teve um impacto muito grande em termos psicológicos, houve muitos bombeiros que relataram que estavam com receio de voltar ao fogo, familiares que estavam a proibir os bombeiros de irem para o fogo. Por isso, em 2014, antes de começar a época crítica de incêndios, fizemos uma ronda preventiva pelos corpos de bombeiros mais afetados em 2013”, disse Rui Ângelo.

O mesmo responsável explicou que também é dado apoio aos elementos do comando dos corpos de bombeiros para aprenderem a gerir situações com vítimas dentro das corporações e detetar situações silenciosas para que seja ativada a ajuda.

A ANPC tem seis equipas com cerca de 45 psicólogos e 17 assistentes sociais distribuídas por todos os distritos, à exceção de Bragança.

À semelhança do que acontece com os bombeiros, também há menos psicólogos no interiores do país.,

O responsável pela Divisão de Segurança, Saúde e Estatuto Social da ANPC explicou que as EAPS seguem “o chamado modelo de apoio de paz” ao ser serem compostas por psicólogos e assistentes sociais que são também bombeiros voluntários.

“É mais fácil para um bombeiro falar com um psicólogo que também é bombeiro e que usa a mesma gíria. É mais fácil expor o que está a sentir do que se fosse um psicólogo civil”, disse ainda.