As mortes registadas em acidentes rodoviários entre 2010 e 2015 diminuíram em Portugal 33%, enquanto a média da União Europeia se situou numa descida de 17%, segundo as estatísticas preliminares hoje divulgadas.

Segundo o relatório da Comissão Europeia, Portugal foi o terceiro país onde os números mais baixaram nestes cinco anos, atrás da Grécia (-36%) e da Dinamarca (-35%).

Na comparação entre 2014 e 2015, a média europeia de mortes na estrada aumentou 1%, estando Portugal (-2%) entre os 10 países onde as estatísticas diminuíram.

Na conferência de imprensa de apresentação dos dados, em Bruxelas, a comissária responsável pelos Transportes, Violeta Bulc, comentou o acidente, em França, no qual morreram 12 emigrantes portugueses.

“Foi um acontecimento muito trágico e só posso esperar que não se repita”, afirmou a responsável, sublinhando caber agora às autoridades locais analisar as causas.

Os serviços de transportes em autocarros, em geral, são seguros”, considerou ainda.

Doze portugueses, com idades entre os 07 e os 63 anos, morreram na sequência do choque frontal entre a carrinha em que seguiam e um veículo pesado, na quinta-feira passada, na estrada nacional 79, perto de Lyon, na localidade de Moulins (centro).

O grupo tinha partido da Suíça e tinha como destino Portugal. A carrinha desviou-se para a faixa contrária e colidiu de frente com o camião.

O único sobrevivente dos 13 ocupantes da carrinha é o condutor, um jovem de 19 anos, também português, que foi hospitalizado em estado de choque e entretanto detido, na terça-feira.

Também o proprietário da carrinha, tio do condutor, foi detido.

As estatísticas hoje publicadas confirmam que as estradas europeias continuam como das mais seguras a nível mundial, apesar do recente abrandamento na redução das mortes nas estradas, tendo sido registadas 26 mil mortos no ano passado, menos 5.500 em comparação com 2010.

“Porém não há melhoria a nível da UE em comparação com 2014” e a Comissão estima que 135 mil pessoas tenham ficado gravemente feridas em acidentes nas estradas dos 28, enquanto a nível de custos sociais a fatura deverá ser, pelo menos, cem mil milhões de euros, lê-se no comunicado do executivo comunitário.

A comissária europeia saudou os “resultados impressionantes” conseguidos nas últimas décadas, mas ressalvou ser “alarmante a atual estagnação” dos números.

Violeta Bulc instou os Estados-membros a reforçar esforços para aumentar a segurança rodoviária, nomeadamente através da aplicação das regras de trânsito, desenvolvimento de infraestruturas, educação e campanhas de sensibilização.

Em 2015, a taxa média de mortalidade nas estradas, a nível da UE, foi de 51.5 por milhão de habitantes, um número que se tem mantido nos últimos dois anos, enquanto entre 2012 e 2013 houve uma redução significativa de 8%.

Os números em Portugal mostram que em 2010 morriam 80 pessoas por milhão de habitante, um número que diminuiu para 61 em 2014 e para 60 no ano passado.