O condutor que atropelou um grupo de peregrinos de Mortágua que seguia em direção a Fátima, na madrugada de sábado, tinha já cadastro por envolvimento noutros acidentes de viação. Levani Moseshvili, um jovem de 24 anos que nasceu na Georgia, mas tinha nacionalidade portuguesa, esteve envolvido numa colisão frontal, em dezembro de 2013, em que ficaram feridas quatro pessoas. O jovem estará também referenciado por consumo de estupefacientes e também por envolvimento em zaragatas.
 
O pai do jovem diz, na edição desta segunda-feira do “Correio da Manhã”, que o filho está “perturbado” e nunca recuperou das lesões que sofreu no acidente de há 16 meses.
 

“A cabeça do meu filho não funciona. Ele nunca ficou bem.”

 
Iuri Moseshvili diz também que ainda não conseguiu falar com o filho: “Ele não me diz nada, não consigo falar com ele e não o quero traumatizar”.
 
O pai do jovem diz ainda que “toda a família está em choque”. “Sinto-me envergonhado. O meu filho está vivo, mas os filhos dos outros estão mortos e eu não posso fazer nada para mudar isso”.
 

Impedido de fugir por camionista

 
O “Jornal de Notícias” noticia também, esta segunda-feira, que Levani terá tentado fugir do local do acidente e só não o fez porque foi impedido por um camionista que assistiu ao acidente. “O condutor tentou fugir e foi esse motorista que o agarrou e lhe disse que dali não saía”, conta ao JN Júlio Norte, presidente da Câmara de Mortágua, citando vários peregrinos.
 
O autarca relata ainda que os peregrinos lhe falaram em comportamentos “estranhos” por parte do condutor, que não terá mostrado “sinais de abalo” perante a situação.
 
Um outro grupo de peregrinos proveniente do Sátão, que seguia atrás do grupo de Mortágua, conta que passaram por eles “vários carros a grande velocidade”, o que pode indiciar que o Audi A4 conduzido por Levani estaria também em excesso de velocidade. 

Levani Moseshvili foi constituído arguido e já chegou esta segunda-feira ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra, pelas 10:00, onde é presente a primeiro interrogatório judicial.
 
As análises feitas na altura do acidente poderão ser determinantes para esclarecer se estaria a conduzir sob efeito do álcool ou qualquer outra substância psicotrópica.