A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste responsabilizou hoje a falta de investimento do Governo, da CP e da REFER na Linha do Oeste pela morte de duas pessoas numa passagem de nível sem guarda.

«Só a incúria e o premeditado esquecimento a que tem sido votada, ao longo dos anos, a Linha do Oeste, são responsáveis por mais estas duas mortes», acusa a Comissão para a Defesa da Linha do Oeste num comunicado sobre o acidente ocorrido na terça-feira.

A colisão entre um comboio e um pesado de mercadorias ocorreu cerca das 21:00, numa passagem de nível sem guarda, na localidade do Bouro, no concelho das Caldas da Rainha, provocando a morte dos dois ocupantes do camião frigorifico que transportava um carregamento de morangos.

Para a comissão, o «trágico acidente vem salientar, da pior forma, a urgente necessidade de ser acelerado pelo Governo, CP e REFER, o processo de modernização deste troço ferroviário, quer no que toca ao material circulante, quer no que se refere às infraestruturas» da linha onde «o cruzamento desnivelado deveria prevalecer, em detrimento das passagens de nível, ainda para mais sem guarda».

No comunicado a comissão reafirma a necessidade de «um projeto suficientemente financiado que permita fazer do transporte ferroviário na região e entre regiões, uma alternativa válida de mobilidade para as respetivas populações».

Tanto mais que, conclui o documento, «as medidas recentemente tomadas no sentido da melhoria dos horários e de uma maior correspondência com as necessidades dos utentes (...) são ainda um passo insuficiente para garantir o futuro da Linha do Oeste».

As medidas referidas prendem-se, com a entrada em vigor, desde setembro deste ano de novos horários e ligações diretas a Coimbra, conseguidos na sequência das reivindicações de autarcas e movimentos cívicos que se opuseram à intenção do Governo que pretendia acabar com o serviço de passageiros entre as Caldas da Rainha e a Figueira da Foz.