Atualizado às 11:42 de sexta-feira

As autoridades espanholas já concluíram a identificação de 73 das 80 vítimas mortais do acidente ferroviário de Santiago de Compostela e nenhuma delas era de nacionalidade portuguesa.

Segundo avança a Lusa, que falou com o vice-cônsul português em Vigo, Marco Ferreira de Melo, continua a não existir cidadãos de nacionalidade portuguesa entre as vítimas.

«Ontem [quinta-feira, feriado na Galiza] estivemos a funcionar excecionalmente, para qualquer eventualidade, mas não recebemos qualquer pedido de informação ou de ajuda por parte de cidadãos portugueses. O mesmo aconteceu hoje, até ao momento», disse ainda Marco Ferreira de Melo.

Também ontem, fonte do Tribunal Superior de Justiça da Galiza já tinha garantido que entre as 67 vítimas mortais «que estavam identificadas», até àquela altura, «não havia nenhum cidadão português». Os restantes cadáveres, acrescentou, só serão identificados nos próximos «dois a três dias», através de exames de ADN.

O processo de identificação das vítimas mortais provocadas por este acidente, já classificado como o mais grave dos últimos 70 anos em Espanha, está a ser coordenado pelo Tribunal Superior de Justiça da Galiza.

«Os corpos das vítimas ainda por identificar encontram-se em muito mau estado e o seu reconhecimento só será possível com exames periciais, através de ADN», disse ainda a fonte, daquele tribunal.

O acidente ocorreu na quarta-feira às 20:45 locais (19:45 em Lisboa) quando o comboio de alta velocidade, que fazia a ligação entre Madrid e Ferrol com quase 250 passageiros a bordo, descarrilou a três quilómetros de Santiago de Compostela, tendo-se registado, em seguida, uma explosão numa das carruagens.

Pelo menos 80 pessoas morreram e 178 foram assistidas em diferentes hospitais da capital da Galiza na sequência deste acidente.

Oitenta e sete pessoas feridas continuam internadas em diferentes hospitais da Galiza, 33 das quais em estado crítico. Quatro dos 33 feridos em estado crítico são menores de 15 anos, segundo os números divulgados cerca das 22:00 locais (21:00 em Lisboa).

O excesso de velocidade, que segundo alguns relatos publicados na imprensa espanhola poderá ter ultrapassado o dobro do limite de 80 quilómetros por hora imposto naquele troço, terá estado na origem do acidente.

O maquinista deverá ser ouvido nas próximas horas por um juiz. Contudo, o registo das comunicações rádio, citado em Espanha por vários órgãos de comunicação social, aponta no sentido de o próprio maquinista ter admitido que estaria a circular com excesso de velocidade naquele local - que é de circulação mista - poucos quilómetros após sair do troço de alta velocidade.