A acessibilidade vai «muito para além de rampas e casas de banho adaptadas», considera a Acesso Cultura, associação que este mês promove no Porto um curso que regista a inscrição de profissionais de várias instituições da cidade.

A Acesso Cultura é uma associação cultural que promove a melhoria das condições de acesso, físico, social e intelectual, aos espaços culturais e à oferta cultural.

Arquitetura, design inclusivo, suportes para cegos, materiais de comunicação, linguagem simples, páginas de Internet acessíveis são os temas do curso «Acessibilidade: uma visão integrada», que, após duas edições em Lisboa, pela primeira vez chegou ao Porto.

«Estas formações têm vindo a ser desenvolvidas mais no sul. No Porto sentia-se uma lacuna e havia procura por parte dos profissionais da cultura que querem tornar o seu trabalho mais acessível, promovendo a participação cultural de todos», descreveu a vice-presidente da Acesso Cultura, Inês Rodrigues.

No Porto, esta iniciativa registou a inscrição de profissionais de entidades como o Centro Português de Fotografia, a Casa do Infante, o Museu Militar, a Fundação de Serralves, o Museu de Aveiro ou a Iris Inclusiva.

«O que queremos dizer com visão integrada é que a acessibilidade num espaço cultural é mais do que as rampas. O conceito de acessibilidade e de inclusão deverá fazer parte da ação, do pensamento, da prática de todos os departamentos que compõem aquela instituição», explicou a diretora executiva da Acesso Cultura, Maria Vlachou.

Consultora em gestão e comunicação cultural, Maria Vlachou é uma das formadoras do curso, enquanto Inês Rodrigues, que também trabalha no Centro Português de Fotografia, é uma das formandas.

Ambas partilham a convicção de que «existe uma necessidade cada vez maior de partilhar com os profissionais da cultura e com as suas tutelas o conceito alargado de acessibilidade», refletindo-se naturalmente o edifício, ou seja as barreiras arquitetónicas, mas ainda mais e na maior parte das vezes com custos mais baixos, «o design, a comunicação, os serviços».

Paralelamente a este curso, decorre hoje outro sobre «Gestão de páginas de Facebook» e a 01 de dezembro realiza-se uma sessão sobre «Websites e documentos digitais acessíveis», que vem lembrar que os portais na Internet são as principais «portas de entrada» das instituições, pelo que devem também ser acessíveis a pessoas com deficiência.

«Tornar os nossos websites e os documentos que partilhamos na Internet mais acessíveis não implica gastar mais dinheiro, implica termos alguns conhecimentos básicos sobre o que funciona e não funciona, para podermos dialogar melhor com os webdesigners e para nós próprios sabermos criar documentos acessíveis antes de os partilharmos online», descreve o programa.

Além de Maria Vlachou, são formadores, entre outros, o arquiteto Pedro Homem Gouveia, que na câmara de Lisboa coordena o Plano de Acessibilidade Pedonal, Peter Colwell, técnico de acessibilidade na Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), e Norberto Sousa, formador e consultor de acessibilidade Web e digital.

«Chegar ao dia em que as pessoas com necessidades especiais serão visitantes e espetadores autónomos nas nossas instituições culturais, tal como todos os outros, e que farão cada vez mais parte das equipas das mesmas», é o objetivo da Acesso Cultura ao promover estas iniciativas.