A ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vai desafiar os deputados do Parlamento Europeu a vendarem os olhos enquanto realizam algumas atividades, como ligar uma máquina de lavar, numa ação de sensibilização em Bruxelas.

Juntamente com outras associações da União Europeia de Cegos, a ACAPO vai promover na terça e na quarta-feira, no Parlamento Europeu, a iniciativa «High Speed Blind Dates», uma ação de sensibilização dirigida aos parlamentares europeus.

«A ideia foi mobilizar uma entidade com as responsabilidades e as competências políticas do Parlamento Europeu (…) para uma ação de sensibilização» que visa «chamar a atenção para as questões de falta de acessibilidade a nível da União Europeia», disse à agência Lusa a presidente da ACAPO, Ana Sofia Antunes.

Durante a iniciativa serão desenvolvidas diversas atividades interativas, que visam consciencializar os eurodeputados para as dificuldades que os cidadãos com deficiência visual enfrentam no desempenho das suas tarefas da vida diária e que a maioria realiza autonomamente.

Ana Sofia Antunes explicou que os deputados europeus vão ser desafiados a vendar os olhos e convidados a realizar um conjunto de atividades sem ver, como introduzir uma ‘password’ num ecrã tátil, como os dos iphone ou tablets, e colocar uma máquina de lavar a louça a funcionar.

«Enquanto realizamos o percurso com eles, durante o qual os convidamos a realizar este conjunto de tarefas, vamos procurando sensibilizá-los para diferentes questões e convidá-los a integrarem o grupo que ao nível do Parlamento Europeu representa as pessoas com deficiência para que seja o mais forte possível e integre o maior número possível de representantes», adiantou.

A presidente da ACAPO disse que as associações estão «a pôr bastante esperança naqueles que possam vir a ser os resultados desta iniciativa» e na visibilidade que pode ter a nível dos meios de comunicação social em toda a Europa.

«Sendo uma população minoritária tem sempre uma certa tendência para ser esquecida e a nossa função é recolocar em cada dia e em cada momento os problemas que afetam esta população com deficiência visual em cima da mesa», sublinhou.

Apesar de «sermos fantásticos a nível de legislação e de garantir que os nossos direitos encontram-se legalmente protegidos», aquele «pequeno grande passo» entre a previsão legal e a concretização das leis que são aprovadas «ainda não é feito nem garantido a nível da grande maioria dos Estados da União Europeia e Portugal não é exceção nessa matéria».

«Leis fantásticas, prática pobre», comentou Ana Sofia Antunes, reiterando que o objetivo da iniciativa é «chamar a atenção» para a falta de acessibilidade ao meio edificado e às tecnologias de informação, cujos equipamentos «deviam ser pensados para todos, mas não são».