O bispo da Guarda, Manuel Felício, disse esta segunda-feira à agência Lusa que "devem ser dirigidas ao tribunal" as perguntas sobre o fim da prisão domiciliária do padre e ex-vice reitor do Seminário do Fundão condenado por abuso sexual de menores.

Em dezembro de 2013, Luís Mendes foi condenado a dez anos de cadeia pelo Tribunal do Fundão, mas a decisão ainda não transitou em julgado e, entretanto, o prazo para a manutenção da prisão domiciliária (situação em que se encontrava desde que foi detido há exatamente dois anos e meio) expirou no domingo.

A pulseira eletrónica foi-lhe retirada ainda durante a manhã de domingo, confirmou à agência Lusa fonte eclesiástica.

Segundo a mesma fonte, o padre não abandonou a residência da Ação Católica em que se encontrava, na Guarda, e tal não deverá acontecer nos próximos dias, de forma a evitar "mais confusão" em torno de toda a situação.

"Agora está mais 'preso' do que nunca. Uma pessoa com uma situação destas pendente não vai sair como se nada fosse e além disso há jornalistas nos dois acessos da casa. Enfim, está igualmente preso, a diferença é que este tempo não contará no caso de a sentença vir a ser confirmada", apontou.

A fonte lamentou ainda o facto de este processo se prolongar "indefinidamente".

Contactado pela agência Lusa, o bispo da Guarda limitou-se a referir que "quaisquer perguntas ou pedidos de explicações devem ser dirigidos ao tribunal".

Após a condenação do Tribunal do Fundão, que deu todos os crimes (19) como provados, a defesa de Luís Mendes recorreu para o Tribunal da Relação de Coimbra, que remeteu novamente o acórdão para a primeira instância para que fosse proferido novo acórdão com a correção das "omissões de pronúncia verificadas".

O processo regressou então ao Tribunal de Castelo Branco (alteração devido à reforma judicial), que, segundo noticiaram  o "Jornal de Notícias" e o "Correio da Manhã", voltou a condenar Luís Mendes a dez anos de cadeia por crimes de abuso sexual de menores.

A agência Lusa tentou, ao longo de toda a manhã, contactar por telefone o advogado de defesa de Luís Mendes, mas Inácio Vilar não atendeu nenhuma das tentativas.