O Tribunal de Famalicão absolveu esta sexta-feira um homem que era acusado pelo Ministério Público e abusar sexualmente de duas netas e de uma sobrinha-neta, «comprando» o silêncio das vítimas com um euro.

A juíza presidente, Fernanda Fernandes, sublinhou as «inúmeras contradições» nos depoimentos das menores entre elas e entre esses depoimentos e a prova resultante da perícia sexual efetuada.

Disse ainda que a absolvição não significa que alguns dos factos imputados ao arguido não mesmo tenham ocorrido, mas apenas que «não há certezas absolutas», já que as declarações contraditórias das menores «não permitem discernir o que é verdade e o que não é verdade».

«Foi feita justiça», disse a advogada do arguido, Paula Gama Costa.

O procurador do Ministério Público admitiu que não irá recorrer da decisão, uma vez que o acórdão que absolve o arguido «está devidamente fundamentado».

O arguido, de 60 anos e morador em Lousado, Famalicão, era acusado da prática de 15 crimes de abuso sexual de crianças agravado, dois crimes de abuso sexual agravado e na forma continuada e dois crimes de importunação sexual.

Ainda segundo a acusação, as vítimas teriam sido duas netas do arguido, que na altura do início dos alegados abusos tinham cinco e sete anos de idade, e uma sobrinha-neta, atualmente com 14 anos.

Segundo a acusação, o arguido ordenava às meninas para não contarem a ninguém o que ia acontecendo, oferecendo-lhes em troca quantias em dinheiro «não concretamente apuradas», mas que rondariam um euro.

Em 2012, uma das vítimas contou à professora o que se estava a passar e o caso chegou à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

As duas crianças mais novas foram retiradas aos pais e entregues a uma família de acolhimento, reporta a Lusa.