As consultas de interrupção voluntária da gravidez no Hospital Santa Maria, em Lisboa, vão ser retomadas dia 1 de fevereiro, depois de terem estado suspensas por carência de enfermeiros especializados, segundo o hospital.

A informação foi dada à agência Lusa pelo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, a que pertence o Santa Maria, o maior hospital do país.

Contactado pela Lusa, Carlos Martins recordou que a interrupção da consulta esteve ligada com “menor capacidade de resposta aquando do movimento dos enfermeiros especialistas” em saúde materna e obstetrícia, que, alegando não serem pagos para o efeito, se recusaram a exercer funções na área da especialidade.

O hospital Santa Maria está de momento a encaminhar para uma clínica privada as mulheres que precisam de uma interrupção da gravidez, a custo da instituição.

Urgência de ginecologia não fechará nenhum dia

O hospital Santa Maria garantiu, este sábado, que a urgência de ginecologia e obstetrícia não irá fechar nenhum dia por semana, apesar de assumir que chegou a ser “um dos muitos cenários de trabalho” equacionados em reunião dos serviços.

“A urgência de ginecologia e obstetrícia não vai fechar. O conselho de administração não teve nem tem essa decisão em cima da mesa. Seria de todo impensável que essa situação ocorresse num hospital universitário e num hospital como é o Santa Maria”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Carlos Martins.

Este sábado, o Diário de Notícias refere que “o diretor do departamento de ginecologia e obstetrícia do hospital Santa Maria, em Lisboa, quer fechar a urgência da especialidade dois dias por semana já a partir de fevereiro”. Em causa está a carência de enfermeiros especialistas.

O presidente do conselho de administração, Carlos Martins, reconheceu à Lusa que esse foi “um dos muitos cenários discutidos” em reunião de médicos, mas sublinhou que a administração nunca teve essa decisão em cima da mesa.

O administrador admite que o Centro Hospitalar tem tido a preocupação de tentar encontrar soluções para a carência de enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, ou através da contratação ou reorganizando os serviços.

“Houve e há preocupações quando olhamos para o número de enfermeiros saídos e para as previsões de saídas”, indicou à Lusa, adiantando que só para o setor privado foram seis enfermeiros especialistas do Santa Maria.

Segundo Carlos Martins, estas preocupações originam discussões de trabalho e elaboração de cenários diversos para reorganizar os serviços.

De acordo com o Diário de Notícias, “a intenção” – agora afastada pelo administrador do hospital – foi comunicada aos médicos do serviço de ginecologia numa reunião na quinta-feira.