A Câmara de Lisboa encontrou detritos de obras do aeroporto no coletor da Segunda Circular, que estará na origem do abatimento do pavimento perto da saída para a Rotunda do Relógio, ocorrido na semana passada.

«Encontrámos dentro do coletor capacetes, botas e detritos de obras do aeroporto», afirmou esta quarta-feira o vereador das Obras da Câmara Municipal de Lisboa (CML) Jorge Máximo, numa reunião pública da autarquia.

De acordo com a Lusa, para o vereador, esta «falta de civismo» provocou o entupimento do coletor da Segunda Circular, que recebe água do aeroporto, o que estará na origem do abatimento do alcatrão, ocorrido a 19 de novembro. O abatimento originou um buraco, com cerca de um metro de diâmetro, que obrigou ao corte da saída da Segunda Circular para a Rotunda do Relógio (no sentido Aeroporto-Benfica) durante dois dias.

Na altura, fonte da Divisão de Trânsito de Lisboa adiantou que, devido à chuva intensa que se abateu na cidade de Lisboa durante cerca de duas horas ao final da tarde de dia 19, «saltou a tampa de uma conduta, abrindo um buraco na estrada», o que afetou 11 viaturas.

Jorge Máximo (PS) falava a propósito de questões do PSD sobre o plano geral de drenagem de Lisboa.

O vereador social-democrata, António Prôa, recordou as inundações registadas este outono na capital, referindo que «Lisboa tem sido prejudicada de forma grave e recorrente com inundações». António Prôa deu como exemplo, o «caso mais mediático» da abertura do buraco no acesso à Rotunda do Relógio. 

O vereador defendeu que «face às inundações de 19 de novembro, o plano [geral de drenagem] seria suficiente para evitá-las».

António Prôa acusou António Costa de «não cumprir o compromisso de trazer à reunião a proposta de operacionalização do plano de drenagem» e garantiu que, se o presidente «não trouxer muito brevemente a proposta, o PSD fará essa proposta».

Além disso, se o executivo «não alterar o orçamento [para 2015] no sentido de conceder prioridade ao investimento na rede de saneamento da cidade, o PSD trará essa proposta de alteração ao Orçamento, reforçando investimento na rede de saneamento para se começar a concretizar a implementação do plano de drenagem».

Já o presidente da autarquia, António Costa, reiterou ser «irresponsável dizer que há solução para os riscos de cheias».

«Ninguém pode garantir que elimina os riscos de cheia. É importante que quem tem imóveis nas zonas de cheia saiba que se deve prevenir, porque o risco de cheia existe. Uma gestão responsável do risco passa por sublinhar às pessoas que o risco existe», afirmou.

O presidente da Câmara deu conta aos vereadores que as negociações para o fecho do ciclo da água iniciadas em 2005 entre a Câmara de Lisboa e a EPAL, que assumiria o custo das obras do plano geral de drenagem, terminaram sem acordo. Algo que anunciou na terça-feira durante a reunião da Assembleia Municipal.

De acordo com António Costa, na sexta-feira passada, numa reunião com o ministro do Ambiente, a Águas de Portugal (que detém a EPAL) comunicou que, «nestas novas circunstâncias, a prioridade da empresa é estabelecer parcerias com municípios de menor dimensão e mais baixa densidade, para melhor eficiência dos saneamentos em baixa».

A Águas de Portugal, disse o socialista, entendeu que «não é oportuno seguir negociações quanto à aquisição da rede de saneamento em baixa da cidade de Lisboa».

Assim, a Câmara Municipal de Lisboa entendeu «dar execução direta ao plano de drenagem». «O próximo quadro comunitário terá uma verba de 900 milhões de euros para todo o país, valor ao qual são candidatáveis projetos da rede de saneamento», disse.

António Costa anunciou na terça-feira que irá levar «a reunião de câmara a criação de uma equipa de missão para avançar com o plano geral de drenagem e preparação de candidaturas aos fundos comunitários». Esta quarta-feira, referiu que a criação da equipa de missão deverá ser discutida na próxima semana, em reunião extraordinária do executivo.