O presidente da União das Misericórdias Portuguesas defendeu hoje a necessidade de legislação que responsabilize as famílias que abandonam idosos em hospitais e lares, atribuindo este fenómeno em primeiro lugar a uma «crise de valores».

«A legislação é necessário fazer, mas é uma legislação que tem de ser bem pensada», afirmou o presidente da União das Misericórdias, Manuel de Lemos, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com responsáveis do PSD a propósito da reforma do Estado.

Classificando as situações de abandono de idosos como casos de «negligência», Manuel de Lemos atribuiu o fenómeno a uma crise de valores.

«Em primeiro lugar é uma crise de valores, é óbvio que há depois outros fatores que têm a ver com as dificuldades das pessoas que vêm acelerar e tranquilizar consciências nesta matéria», sustentou o presidente da União das Misericórdias.

Manuel de Lemos sublinhou, a propósito, a necessidade de chamar todos os portugueses «à sua responsabilidade», recordando a frase de Kennedy «não perguntem à América o que pode fazer pelos americanos, perguntem aos americanos o que podem fazer pela América».

«Essa frase hoje se aplica completamente aos portugueses, os portugueses também têm de fazer qualquer coisa por Portugal», defendeu.

Relativamente à reforma do Estado, que esteve esta manhã em discussão na reunião com o PSD, Manuel de Lemos adiantou que vê o documento como sendo «muito positivo» e saudou os sociais-democratas pela iniciativa de discutir «a necessária reforma do Estado» com os parceiros sociais.

«O Estado somos todos nós, não é só o Governo ou os partidos, somos todos nós», acrescentou.