Os Alcoólicos Anónimos (AA) receberam mais de quatro pedidos de ajuda por dia em 2013, só no serviço de atendimento telefónico, uma procura que está a aumentar, sobretudo por parte de familiares, disse à Lusa uma responsável daquele grupo.

Na véspera de assinalar o Dia Mundial dos Alcoólicos Anónimos (10 de junho), este grupo de ajuda apresenta, em conferência de imprensa, a sua história em Portugal e no Mundo e dá a conhecer o seu trabalho e o programa dos 12 passos (que é seguido por quem entra em recuperação).

Donatila Arcadinho, dos AA, disse ainda que estará presente uma pessoa «que vai fazer uma partilha de vida e de experiência», bem como um profissional que dará a sua opinião.

Será ainda transmitido um pequeno filme de oito minutos, feito da Grã-Bretanha, «sobre como as pessoas chegam aos AA e sobre o seu sofrimento antes de pedir ajuda», a que se seguirá um debate.

Segundo esta responsável, os AA têm verificado um aumento dos pedidos de ajuda por pessoas com problemas de alcoolismo, mas principalmente por parte de familiares.

«Temos tido um ligeiro aumento da procura, mas mais de familiares que pedem ajuda. Os alcoólicos só pedem quando reconhecem que têm uma doença», o que é sempre mais difícil, explicou.

As estatísticas do serviço de atendimento telefónico dos AA mostram que em 2013 foram atendidas 1.572 chamadas, 98% (1.537) das quais eram pedidos de ajuda. As restantes eram pedidos de informação.

Do total de chamadas, 711 foram feitas por familiares, 707 pelos próprios e 154 por outras pessoas. Foram encaminhados para o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) 172 casos (nas regiões onde não havia grupos ou quando foi pedido internamento).

As estatísticas disponíveis para 2014 revelam que até abril houve 572 pedidos de ajuda, de um total de 595 chamadas recebidas.

A discriminação mensal mostra um aumento gradual de pedidos de ajuda: 131 em janeiro, 133 em fevereiro, 157 em março e 174 em abril.

A comunidade portuguesa dos Alcoólicos Anónimos assinala este ano o seu 79º aniversário.