Cerca de uma dezena de automóveis participaram neste sábado na marcha lenta realizada pela Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) a exigir a suspensão imediata de portagens na antiga autoestrada Sem Custos para o Utilizador (Scut) do Algarve.

A caravana saiu de Altura, no concelho de Castro Marim, em direção a Tavira, pela Estrada Nacional 125 (EN125), e durante o percurso de cerca de 15 quilómetros causou longas filas de trânsito, num dia em que o tempo, com algum vento e ameaça de chuva, levou muitos veraneantes a não ir à praia e a circular pela estrada nacional que é alternativa à A22.

«O objetivo é sempre o mesmo, que é o de lutar até à suspensão integral e definitiva das portagens na Via do Infante. É uma evidência que é impossível circular na EN125 e continua a fazer sentido, cada vez mais, lutar pela abolição das portagens na Via do Infante», afirmou à agência Lusa João Vasconcelos, dirigente da Comissão de Utentes.

O representante da estrutura que representa os utentes da A22 frisou que «todos os dias há acidentes na EN125», alguns com vítimas mortais, outros com feridos devido à fuga de automobilistas da autoestrada do Algarve por causa das portagens, o que «causa um prejuízo à economia e à sociedade algarvia».

«E a Via do Infante continua a dar um prejuízo muito grande ao erário público, que no ano passado foi de entre 40 a 50 milhões de euros, e por tudo isso faz todo o sentido continuar a protestar e é isso que vamos fazer durante todo o verão», assegurou.

Sobre as ações surpresa que têm sido realizadas pela estrutura durante os protestos, nomeadamente a deposição de coroas de flores nos locais onde se registaram acidentes rodoviários com vítimas mortais na EN125, João Vasconcelos disse que é «o mínimo que se pode fazer».

«É para homenagear os mortos que infelizmente tombaram na EN125, que voltou a ser a estrada da morte depois a introdução de portagens» na A22, a 8 de dezembro de 2011.

Por isso, o dirigente da Comissão de Utentes exigiu a demissão do Governo. «Se este Governo não tem coragem de acabar com as portagens, que pelos vistos não tem, então que se demita e dê lugar a um novo Governo, que tome como uma das primeiras medidas a abolição de portagens», defendeu.

João Vasconcelos aproveitou ainda para criticar os deputados do PSD, CDS-PP e do PS eleitos pelo círculo eleitoral de Faro por não terem estado ao lado de um projeto de resolução apresentado pelo PCP na Assembleia da República, a exigir a suspensão das portagens na A22, tendo os parlamentares da maioria que sustenta o Governo votado contra, com abstenção do PS.

A Comissão de Utentes da Via do Infante anunciou também para o verão novas ações de luta junto das casas de férias do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na Manta Rota, concelho de Vila Real de Santo António, e do Presidente da República, Cavaco Silva, na praia da Coelha, em Albufeira.