Os enfermeiros vão estar em greve no período da manhã, a partir desta terça-feira e durante cinco dias, para contestar as medidas do Governo para o setor, discutir o processo negocial e delinear novas estratégias de luta.

A primeira razão invocada pela dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) Guadalupe Simões é a preocupação que estes profissionais sentem face ao agravamento da crise e consequente diminuição do acesso das pessoas aos cuidados de saúde.

«Esta é uma situação que se alastra de norte a sul do país e o que sentimos é que as pessoas cada vez menos têm condições de chegar aos serviços de saúde, até porque, para muitos deles, a perspetiva é de encerrar, e não conseguimos entender as razões pelas quais, já tendo sido ultrapassadas todas as metas iniciais da troika para a Saúde, o ministro continua a cortar no SNS [Serviço Nacional de Saúde] e essa seja mais uma vez a perspetiva para 2014», afirmou.

No que respeita concretamente aos enfermeiros, a contestação prende-se sobretudo com «o não reconhecimento» do valor do seu trabalho, das suas qualificações e competências e das responsabilidades que têm vindo a assumir.

Guadalupe Simões acusa o Governo e o Ministério da Saúde de pretenderem «tratar igual o que não é igual», quer seja pelo aumento das horas de trabalho por semana, diminuindo o valor do trabalho dos enfermeiros, quer seja pela sua falta de vontade de resolver problemas salariais dos enfermeiros.

«Por isso temos situações vergonhosas de enfermeiros a ganhar abaixo da tabela legal em vigor, enfermeiros que exercem desde há 10 e 11 anos e que continuam em situação precária e a ganhar 980 euros», lamentou.

A sindicalista referiu ainda o caso de enfermeiros que, com 27 anos de serviço, ¿apenas ganham mais 200 euros do que o valor legal em vigor na carreira de enfermagem¿, com um aumento de competências que não é valorizado em termos de remuneração.

O SEP aponta ainda os casos de chefes e supervisores que gerem os serviços em função das necessidades dos doentes e dos profissionais, que formam enfermeiros e que não têm «qualquer tipo de expectativa de desenvolvimento profissional».

A greve começa hoje e decorre durante cinco manhãs - entre as 08:00 e as 12:00 -, período durante o qual os enfermeiros vão discutir o processo negocial e delinear estratégias de lutas.

Além disso, irão fazer «cerca de 53 plenários em 53 instituições», acrescentou.

Em consequência da greve, serão prestados apenas os serviços mínimos onde forem necessários e, nos centros de saúde, poderão não se realizar os cuidados de enfermagem, como refere a Lusa.