Os administrativos e auxiliares dos hospitais e centros de saúde vão estar em greve no dia 24 deste mês para exigir a reposição das 35 horas de trabalho semanais e a contratação de mais profissionais.

Os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) dizem que se sentem exaustos com «a completa desregulação de horários de trabalho», explicou esta quinta-feira a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que convocou a greve.

Luís Pesca, dirigente sindical, afirmou à agência Lusa que a «enorme falta de pessoal» nos serviços de saúde faz com que funcionários auxiliares, técnicos e administrativos trabalhem diariamente 10, 12 ou 16 horas. «No fim de uma semana temos claramente horários acima das 40 horas sem que haja pagamento de horas extraordinárias»-.

De acordo com o sindicalista, as horas de trabalho a mais não são pagas, sendo transformadas «ilegalmente» numa bolsa de horas que são depois de difícil utilização pelos profissionais.

«Temos casos de pessoas que têm 50 a 60 dias para gozar de compensação. Este trabalho não pago é desumano e há trabalhadores exaustos», referiu Luís Pesca.

Segundo o sindicato, a greve, a realizar entre as 00.00 e as 24.00 horas do dia 24 de outubro, terá «impactos enormes» nos hospitais e centros de saúde e pode causar «muitas perturbações em vários atos ou procedimentos», incluindo até cirurgias.

«Iremos respeitar os serviços mínimos e ninguém ficará sem auxílio no serviço de urgência. Mas a greve tem graves implicações na maior parte dos serviços de saúde», declarou Luís Pesca.

Quanto à contratação de mais trabalhadores, a Federação refere que seriam necessários «milhares de trabalhadores», estimando que a carência em todos os serviços de saúde públicos seja acima dos 20 mil funcionários.

A Federação lamenta ainda a forma «diferenciada» com que o ministro da Saúde tem tratado estes sindicalistas ao nunca ter recebido elementos desta organização que representa os auxiliares, administrativos e outros técnicos da saúde.