O chefe do Estado-Maior do Exército revelou esta terça-feira que apareceu uma caixa de petardos a mais na relação do material furtado nos paióis de Tancos recuperado pela Polícia Judiciária Militar, situação que considerou "compreensível".

Em conferência de imprensa na Unidade Apoio Geral Material do Exército (UAGME), Benavente, para fazer o ponto da situação da desativação dos Paióis de Tancos, Rovisco Duarte confirmou que o material recuperado na Chamusca "se encontra armazenado nas instalações de Santa Margarida, exceto as munições de 9 milímetros".

O general revelou em seguida que na relação do material encontrado "existe uma caixa a mais [de petardos], que não constava da relação inicial" do material furtado.

Rovisco Duarte considerou que a "ligeira discrepância" é "perfeitamente compreensível", dizendo que o material em causa era utilizado na instrução, podendo ter sido registada a sua saída e não ter sido na realidade consumido por várias razões, como por exemplo atmosféricas, regressando ao paiol.

"Se chove, a instrução pode ser interrompida e os rebentamentos podem não ser executados. (…) É material volante que saiu, uma caixa, não é tanto assim", disse, ressalvando que o Exército tem prestado toda a colaboração com os órgãos de polícia que estão a investigar o caso.

O Exército deu hoje por terminada a "operação delicada e penosa" de esvaziamento dos Paióis Nacionais de Tancos, que poderá ser reconvertido num campo militar, disse também o chefe do Estado-Maior do ramo.

Depois de decidida a desativação dos Paióis de Tancos na sequência do furto de material militar em junho, o esvaziamento e transporte de munições, explosivos e artifícios de fogo iniciou-se a 2 de outubro.

A operação, designada "Troia", a cargo do coronel Roldão, terminou hoje com a transferência da última coluna com material militar para o campo de tiro de Alcochete, da Força Aérea Portuguesa.

Em conferência de imprensa, na Unidade Apoio Geral Material do Exército (UAGME), Benavente, Rovisco Duarte disse que foram transferidas mil paletes, num total de 1100 toneladas, envolvendo 51 militares e mais de 30 viaturas e equipamentos pesados, entre os quais cinco camiões e plataformas, cinco viaturas táticas ligeiras, uma ambulância e quatro empilhadores.

Quanto ao destino dos paióis de Tancos, Rovisco Duarte disse que vão ser mantidas "para já" e com vigilância para não serem vandalizadas.

"Estou extremamente satisfeito com o esvaziamento dos paióis de Tancos", afirmou, considerando que a opção permite concentrar os investimentos de segurança em Santa Margarida e aproveitar as capacidades que existem nos paióis do Marco do Grilo, para cujas despesas de manutenção do Exército também contribui, e no campo de Tiro de Alcochete.

Por uma questão de "racionalização de meios" e de "gestão de infraestruturas", disse, "não fazia sentido manter" os paióis de Tancos, disse, admitindo que ao longo dos anos houve "erros estruturais e erros sistémicos" na filosofia seguida pelo Exército quanto às instalações.

"Por isso é que eu falei em erros estruturais e erros sistémicos. Não houve uma análise integrada não só do Exército mas de toda a gente, em termos de racionalização das infraestruturas. Quando surge este incidente, percebeu-se que não fazia sentido manter Tancos."

Rovisco Duarte disse que está em estudo uma proposta para reconverter os paióis de Tancos num campo militar, à semelhança do de Santa Margarida, para aproveitar as "sinergias" permitidas pela proximidade entre as duas instalações.

Na primeira fase da operação de esvaziamento dos paióis de Tancos, entre 02 e 26 de outubro, foi transportado material dos paióis de Tancos para os paióis de Marco do Grilo, Seixal, (Marinha) e, numa segunda fase, entre 27 e 31 de outubro, para os paióis do Campo de Tiro de Alcochete.

O restante material foi transferido para os paióis de Santa Margarida, Santarém.