O tribunal de Soure condenou, esta sexta-feira, a 25 anos de prisão, a pena máxima em Portugal, o homem que matou a mulher e uma das filhas, deixando outra gravemente ferida.

O homem, residente em Soure, distrito de Coimbra, confessara durante o julgamento, que começou no dia 7, que tinha matado a mulher e uma filha de 16 anos, com recurso a vários golpes de faca, na noite de 19 para 20 de outubro de 2014, tendo deixado a outra filha, de 13 anos, gravemente ferida.

Durante as alegações finais, o Ministério Público tinha pedido a pena máxima para o arguido, que estava acusado de dois crimes de homicídio qualificado na forma consumada e de um crime de homicídio qualificado na forma tentada.

Esta sexta-feira, o juiz que presidia ao coletivo sublinhou o "egoísmo atroz", o "profundo desprezo pela vida humana" e a "violência extrema" com que o arguido matou a sua esposa e filha mais velha, sendo que a mais nova apenas não morreu "por circunstâncias alheias" à vontade de António Vilaranda.

Para o tribunal, o arguido apresentou uma "determinação criminosa invulgar", não se detendo aquando das súplicas das filhas, que gritaram: "Ajudem-nos, ajudem-nos a sair daqui, que o nosso pai mata-nos".

António Vilaranda só parou "quando pensou que tinha cumprido o seu desígnio", frisou.

Dirigindo-se ao arguido, o juiz salientou que "não há nenhum tipo de circunstância que permita que o tribunal não lhe aplicasse esta pena. O senhor não quis que ninguém sobrevivesse".
 

"É importante ter trazido os elementos, em termos de interiorização daquilo que fez. É importante que o senhor interiorize e que no futuro consiga ser uma pessoa diferente e que situações destas nunca mais aconteçam".


Durante todo o julgamento, o arguido manteve sempre uma postura alheada, respondendo a todas as perguntas que lhe foram feitas quer pelo Ministério Público, o coletivo de juízes ou a defesa, recorrendo a um discurso inexpressivo, por vezes contraditório, de frases curtas e repleto de pausas.

O Tribunal de Soure decidiu ainda condenar o arguido a uma indemnização de 155 mil euros a pagar à filha que sobreviveu.

O advogado em representação da filha considerou que a sentença era "aquilo que se esperava", afirmando que "há casos para os quais parece ser curto o limite de pena" máxima fixada em Portugal.

O julgamento contou com um júri composto por duas mulheres e dois homens.

O arguido estava preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Leiria, onde recebia acompanhamento psiquiátrico e psicológico, estando a recorrer a tratamento com psicofármacos.