Um bebé de 23 meses ferido na sexta-feira pelo rebentamento de uma mina, que provocou 23 mortos numa viatura de transporte, na Guiné-Bissau, vai ser transportado para Portugal para receber tratamento médico, adiantou à Lusa fonte diplomática.

Trata-se da vítima mais nova do desastre assinalado com dois dias de luto nacional (domingo e segunda-feira).

A criança sofreu um traumatismo craniano e deverá ser tratada por especialistas em neurocirurgia devido à falta de recursos em território guineense, explicou Augusto Blute, cirurgião do Hospital Simão Mendes, em Bissau.

A partida do Aeroporto Osvaldo Vieira para Dacar, no Senegal, está marcada para as 11:00 (12:00 em Lisboa) de quarta-feira.

O bebé, do sexo masculino, acompanhado por um médico, deverá depois seguir da capital senegalesa para Lisboa num voo oferecido pela TAP durante a madrugada de quinta-feira para ser admitido no Hospital de Santa Maria, acrescentou a mesma fonte diplomática.

A viagem e acolhimento na capital portuguesa acontecem ao abrigo do acordo de cooperação «que prevê o acolhimento em Portugal de pacientes relativamente aos quais não haja meios de diagnóstico e tratamento»na Guiné-Bissau, referiu.

O menino de 23 meses está estabilizado, mas necessita, pelo menos, de um diagnóstico preciso «através de TAC [Tomografia Axial Computorizada]», realçou Augusto Blute.

Os dois membros da família que dele cuidam, mãe e um tio, com os quais viajava na sexta-feira, estão também internados no Hospital Simão Mendes.

Um furgão de transporte coletivo explodiu na sexta-feira quando circulava entre as povoação de Bissorã e Cheia com cerca de 40 pessoas, quase todas pertencentes à mesma família, que se deslocavam para uma cerimónia fúnebre.

De acordo com as autoridades, o condutor ativou uma mina antitanque usada pelas forças guineenses na guerra da independência, há mais de 40 anos.

O governo decidiu criar uma comissão de inquérito liderada pela ministra da Justiça para averiguar as circunstâncias do acidente e decidir sobre eventuais medidas a tomar no terreno face ao risco de haver outras minas na zona.

Em 2013, um dispositivo semelhante foi desarmado por militares a poucos metros do local do acidente.