Baleal, a mais linda praia da terra portuguesa. A frase é de Raul Brandão e está bem assente na Ilha do Baleal. O jornalista e escritor publicou em 1923 o livro “Pescadores”, um conjunto de crónicas que relatam a vida dos homens do mar de norte a sul de Portugal. Mas nós hoje não vamos relatar a vida de pescadores, mas sim dos veraneantes neste dia de nevoeiro.

Baleal já foi ilha. Hoje, uma língua de areia liga o Baleal a terra e transformou-se península.

Acácio é a terceira geração de uma família dedicada ao Baleal. Nasceu aqui, em casa, e a ilha, isolada no inverno pelas grandes marés, foi o quintal onde brincou na infância. O avô, também Acácio, abriu aqui o primeiro restaurante de praia. Visionário, montou as barraquinhas de praia, os primeiros balneários e os duches, muito à frente para o tempo.

A pouco e pouco, o tempo vai dando tréguas e o sol vai espreitando. Como aqui espreitam a toda a esquina os negócios ligados ao surf.

Foi um dia que aqui veio dar uma aula de surf que Pedro decidiu mudar de vida. Toda a infância passou aqui férias. Trabalhava em cinema e televisão. Nesse dia, depois de sair do mar, olhou para a casa de família de João Gaucho e no mesmo momento ligou-lhe a fazer uma proposta: transformar a casa de família de João numa escola de surf e num abrigo para quem vem de fora experimentar a modalidade. O amigo disse que sim e nasceu o Surf Castle, um sonho de dois amigos tornado realidade. Mantiveram ao máximo o traçado excêntrico e pouco comum em Portugal. Faz lembrar um chalé na montanha, mas virado para o mar. Foi construída nos anos 20 e aqui respira-se história. Também porque mantiveram quase toda a mobília e decoração dessa época.

Lá fora, muitas nacionalidades cruzam-se lá fora na antiga garagem da casa, hoje cheia de pranchas e fatos de licra. Procuram esta praia porque tem fama de ser a melhor para quem se quer iniciar no surf. O Pedro explica-nos que é por causa da orientação do areal e do facto de ser protegida dos ventos que agitam as ondas. Entendemos isso como um desafio e fazemo-nos ao mar, com as pranchas debaixo do braço.