Os trabalhadores do Departamento de Gestão da Dívida (DGD) do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) estiveram esta terça-feira em greve em defesa de uma carreira adequada às suas funções e melhores condições de trabalho, encerrando alguns balcões de atendimento.

De acordo com secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), José Abraão, a paralisação "teve uma excelente adesão, chegando aos 90% em muitos locais de trabalho, o que levou ao encerramento de muitos balcões de atendimento".

"A maioria dos trabalhadores não foi trabalhar porque está saturada da falta de condições de trabalho", disse à agência Lusa o sindicalista.


Os trabalhadores queixam-se da degradação do serviço por falta de recursos humanos, de baixas remunerações e da falta de uma carreira adequada às funções que desempenham.

"O SINTAP exige que o Governo inicie um processo negocial que tenha em vista a criação de uma carreira especial para os trabalhadores do Departamento de Gestão da Dívida do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, IP", disse à Lusa o secretário-geral do Sintap.


O sindicalista lembrou que no início deste ano foram criadas carreiras especiais para os técnicos superiores da Direção-Geral do Orçamento (DGO), da Direção-Geral de Tesouro e Finanças (DGTF) e do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) do Ministério das Finanças.

Tendo em conta que também já foi anunciada a criação de uma carreira especial para os técnicos superiores do Instituto Nacional de Estatística (INE), José Abraão disse que "não se compreende o porquê da tutela continuar a ignorar a especificidade e a relevância das funções dos trabalhadores do DGD do IGFSS".

Segundo o Sintap, nas secções de Processos do DGD, o rácio de cobrança por trabalhador ronda os 3 milhões de euros anuais.

Os cerca de 100 técnicos superiores do DGD dedicam-se, a nível distrital, à recuperação de dívidas à Segurança Social e "ganham em média 1.100 euros".

José Abraão disse que o sindicato continua à espera da marcação de uma reunião com o secretário de Estado da Segurança Social para discutir a situação.

O ministério da tutela não facultou à Lusa qualquer informação sobre o impacto desta greve nos respetivos serviços.