Um cidadão de nacionalidade argelina, que fazia a viagem entre a Argélia e Casablanca, em Marrocos, saiu ilegalmente do aeroporto de Lisboa, encontrando-se em parte incerta, confirmou esta quinta-feira à agência Lusa uma fonte do Ministério da Administração Interna.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna (MAI) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) confirmaram que o cidadão estrangeiro “furou” a segurança do aeroporto de Lisboa na passada terça-feira.

O MAI confirma a saída do Aeroporto de Lisboa de um cidadão estrangeiro que estava em trânsito, provindo da Argélia e com destino a Casablanca. Trata-se de uma situação de tentativa de imigração ilegal, tendo sido acionados os necessários mecanismos para estas situações”, é referido no comunicado.

O MAI indicou ainda que não fará mais comentários sobre este caso.

O Jornal de Notícias avançou hoje em manchete que um cidadão argelino conseguiu furar na terça-feira a segurança no aeroporto de Lisboa e encontra-se em parte incerta, o que deixou em "estado de alerta todas as forças policiais”.

O argelino, segundo o jornal, chegou a Lisboa num voo proveniente da Argélia com destino a Casablanca e o cidadão teria de ficar no aeroporto, na zona internacional, durante 11 horas para apanhar depois o voo de ligação para Marrocos.

O JN escreve ainda que, “durante essa escala, o indivíduo aproveitou para escapar do aeroporto, entrando em território nacional ilegalmente e sem qualquer controlo”.

O homem, escreve o jornal, está identificado e as autoridades portuguesas já verificaram que não tem ligações conhecidas ao terrorismo nem crimes violentos”.

Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, o Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SINSEF) salientou que a fuga no aeroporto de Lisboa de um cidadão foi protagonizada por um imigrante ilegal.

Parece um pouco precipitada a explicação de que a fuga no aeroporto de Lisboa (mais uma) de um cidadão, e que, entretanto, já havia sido "barrado”, foi protagonizada por um imigrante ilegal”, sublinha o sindicato.

“Como se pode afirmar tal, se o individuo em questão ainda não foi capturado e, como tal, interrogado? Mas mesmo que tal aconteça, o caso é seriamente grave. Se é tão fácil a um qualquer cidadão, sem apoio exterior, ludibriar a polícia de fronteira, o que não dizer dos que, eventualmente, tenham outro tipo de intenções e que, como tal, possuam redes de apoio bem montadas”, questionou o sindicato no comunicado.

O SINSEF considerou tratar-se, efetivamente, de uma questão de segurança.

E o que é paradoxal é que, aparentemente, pretende-se tornar o SEF numa simples polícia de imigração, ignorando os 50% dos seus funcionários que asseguram metade da missão confiada ao serviço, essenciais para que as medidas de segurança se afigurem eficazes”, é referido.

O sindicato que representa os inspetores do SEF defendeu a existência de uma zona “mais restrita” na área internacional dos aeroportos portugueses para os passageiros considerados de risco, como é o caso dos que têm nacionalidade argelina.

O presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), Acácio Pereira, considerou que na zona internacional há sempre dezenas de passageiros e que, por vezes, se torna difícil vigiá-los a todos.

Nesse sentido, defendeu que os passageiros considerados de risco não deviam ficar na zona internacional, devendo existir uma zona mais restrita para este tipo de pessoas.

O presidente do sindicato que representa os inspetores do SEF referiu também que deve ser exigido “um visto de escala” em determinadas circunstâncias, sendo uma lacuna que existe na lei e que permite este tipo de situação quando se está em trânsito num aeroporto.

Ninguém vem para a Europa, quando pretende viajar entre dois países africanos”, disse Acácio Pereira, referindo-se ao facto do cidadão argelino estar a viajar entre Argélia e Marrocos, passando por Lisboa.

Este é o segundo caso do género em poucos meses. No final de julho, quatro homens foram detidos pela PSP no aeroporto de Lisboa por violação das regras de segurança, ao terem tentado fugir ao controlo de passaportes e "numa zona restrita", mais concretamente na pista de aterragem.

Na altura, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse que a ação, perpetrada por quatro homens de nacionalidade argelina, não constituiu um ato de terrorismo, mas sim uma "tentativa desesperada de imigração ilegal".