O Governo Regional da Madeira pretende alienar o atual edifício do hospital do Funchal após a conclusão da nova infraestrutura, cuja obra deverá arrancar em 2019 e com um prazo de execução de cinco anos.

“Obviamente, que não faz sentido a Região Autónoma [da Madeira] ter dois hospitais”, afirmou hoje o secretário Regional das Finanças e da Administração Pública, Rui Manuel Gonçalves, à margem da entrega da candidatura do projeto de interesse comum para a construção do novo hospital do Funchal, que decorreu no Ministério das Finanças, em Lisboa.

Segundo Rui Manuel Gonçalves, o novo hospital vai ter uma área total de construção de 160 mil metros quadrados, o que corresponde ao triplo da área da atual infraestrutura de saúde hospitalar do Funchal, que tem 54 mil metros quadrados de construção.

O governante regional explicou que a alienação da atual infraestrutura, após a conclusão da obra do novo hospital, vai permitir o financiamento do novo equipamento.

Adiantou que o investimento que está a ser feito na dotação de novos aparelhos na atual unidade de saúde não é em vão, uma vez que estes vão depois ser também transferidos.

Presente no encontro esteve também o secretário Regional da Saúde, João Faria Nunes, que referiu que o projeto de construção de um novo hospital no Funchal “começou em 2004”, foi revisto em 2010, mas acabou por ser suspenso pelo Governo anterior.

Atualmente, a construção de um novo hospital é “um dos grandes compromissos” do Governo em funções, expôs João Faria Nunes, sublinhando que houve um grupo de trabalho “multidisciplinar e multipartidário” que concluiu que é necessária a construção da nova infraestrutura hospitalar na Região Autónoma da Madeira.

“Neste momento, somos mais velhos, somos menos e somos mais crónicos, portanto o hospital tem que estar previsto para o futuro no que respeita às novas doenças, às novas patologias e à nova tecnologia”, expressou o secretário Regional da Saúde, frisando que a infraestrutura vai disponibilizar todo o tipo de serviços de saúde.

Para o governante regional, apesar de a área de influência da Região Autónoma da Madeira ser de cerca de 300 mil pessoas - 270 mil em população fixa e 30 mil em flutuante -, é importante a existência de “um hospital de fim de linha”, uma vez que se trata de uma ilha.

Ainda que a construção de um novo hospital seja uma prioridade, o Governo Regional assegurou que vai continuar a dotar o Serviço Nacional de Saúde de todas as condições para prestar bons cuidados de saúde na Região Autónoma da Madeira.

“Não podemos construir um hospital novo e descurar a parte do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, porque isso é de facto a nossa primeira prioridade. Obviamente que o hospital também tem um grau de prioridade muito grande, mas será executado com o financiamento assegurado”, reforçou o secretário Regional das Finanças, sublinhando que é o Estado quem ditará se vai existir ou não um novo hospital na Região Autónoma da Madeira.

Após a entrega da candidatura do projeto de interesse comum para construção do novo hospital do Funchal, orçado “na ordem dos 340 milhões de euros”, o Governo Regional da Madeira espera ter uma decisão do Governo da República sobre o financiamento da nova unidade hospitalar até setembro deste ano.

No sábado, o secretário de Estado da Saúde do Governo da República, Manuel Delgado, estimou que as obras de construção do novo hospital da Região Autónoma da Madeira deverão arrancar dentro de três anos, que é o tempo de "definir o conceito de hospital, o programa funcional e o modelo de financiamento”.

Já em março deste ano, o primeiro-ministro garantiu que irá existir "um esforço conjunto" para assegurar a construção do novo hospital do Funchal, no âmbito da primeira visita oficial que efetuou à Região Autónoma da Madeira.

António Costa destacou que o executivo “está bem ciente da importância” desta nova unidade de saúde para a Região, salientando não haver “dúvidas sobre a sua necessidade” e que existem “limitações” financeiras tanto por parte da Região como da República, mas que “juntos” será possível “encontrar uma boa forma de cooperar”.