Os deputados são os políticos em que os portugueses que vivem fora de Portugal menos confiam, segundo os resultados de um novo estudo divulgado esta terça-feira.

Mais de 1.070 portugueses residentes em 59 países participaram no estudo «O Sistema Político-Partidário em Portugal visto pela Diáspora Portuguesa», da autoria dos investigadores André Corrêa D'Almeida e Nuno António.

Depois da primeira parte do estudo ter sido apresentada em fevereiro, os autores anunciaram hoje os resultados da segunda parte, com o título «A reputação política pode ser resolvida».

No inquérito, os participantes indicaram de 1 a 10 (sendo 1 o nível mais baixo) quanto confiavam nos políticos portugueses.

Cerca de 40 por cento dos participantes respondeu 1 para os deputados, tendo a percentagem ficado nos 36 para os ministros e 34 para o Presidente da República.

Como forma de melhorar os níveis de confiança, os inquiridos mostraram ser a favor da redução do número de deputados, de proibir que estes representantes decidam sobre os seus salários e que possam acumular o cargo público com atividades no setor provado.

«Este trabalho foca-se em estratégias que diversos tipos de atores políticos podem usar para melhorar a sua reputação e, simultaneamente, ir mais ao encontro das aspirações das suas populações», explicou à Lusa André Corrêa d'Almeida.

Os autores sugerem várias estratégias, como expandir as bases de apoio dos partidos e orientar essa expansão, não com base nas suas ideologias, mas numa abordagem orientada para a resolução de problemas que aumente a satisfação das pessoas.

«Os políticos precisam usar ciência fundamentada em dados para melhor aferir os custos e benefícios das suas prioridades políticas e agendas», explicam os autores no estudo, sugerindo ainda reformas institucionais e cooperação entre os diferentes atores.

«É uma abordagem completamente inovadora que procura oferecer um contributo para a dignificação das nossas instituições e criação de plataformas de criação de confiança entre políticos e cidadãos», disse à Lusa André Corrêa d'Almeida, que é professor adjunto da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.

O investigador explicou ainda que «esta iniciativa tem como fim contribuir para a modernização do sistema político-partidário em Portugal» e que é um «contributo para uma reflexão 40 anos após o 25 de Abril».

O investigador defendeu que «a diáspora é hoje mais do que nunca, graças às novas redes sociais e aos novos meios de comunicação, um meio poderoso de perspetivar os problemas e os bloqueios do país por via quer do distanciamento ou internacionalização de referências».

Segundo os resultados da primeira parte do estudo, estes portugueses acreditam que o país não se tem sabido governar desde 1974 e que os deputados deviam estar proibidos de exercer funções no setor privado.

Depois de conhecidas estas conclusões, o autor teve uma série de encontros na Assembleia da República nos últimos meses.

«Tive encontros com deputados que eu pedi e com outros que me contactaram. Foi um diálogo muito interessante, que continua a decorrer, e que tem como objetivo último a criação de plataformas colaborativas no nosso sistema democrático», explicou o professor.