O Governo e os representantes dos taxistas voltam a reunir-se na próxima sexta-feira para “consolidar a criação do grupo de trabalho” que vai apresentar propostas de melhoria da mobilidade nas cidades, disse esta sexta-feira o secretário de Estado do Ambiente.

José Mendes falava após uma reunião no Ministério do Ambiente com os representantes do setor do táxi, que esteve hoje em protesto - com marchas lentas em Lisboa, Porto e Faro – contra a plataforma de transporte Uber.

O governante referiu que o encontro decorreu “de forma serena”.

Questionado sobre o funcionamento ilegal que os taxistas atribuem à Uber, o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente disse que continua a haver fiscalização nos transportes e que sempre que são detetados casos de transporte ilegal são levantados autos de contraordenação.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, tinha já referido que o grupo de trabalho será constituído por representantes do setor, dos gestores das cidades e da mobilidade.

O grupo de trabalho, que dependerá do ministério do Ambiente, deverá começar a trabalhar em junho e apresentar conclusões até ao final do ano, esclareceu o ministro, em declarações à Lusa.

Alguns milhares de taxistas saíram hoje às ruas de Lisboa, Porto e Faro em protesto contra o serviço de transporte Uber, acabando os manifestantes da capital por desmobilizar da frente do parlamento cerca das 20:00, onde se mantiveram em protesto contra a Uber durante toda a tarde, após a reunião com o secretário de Estado em que foram dadas “algumas garantias”.

A decisão foi anunciada ao início da noite pelo presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, às dezenas de taxistas que ainda se mantinham em frente ao parlamento, depois de este responsável e o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, terem recebido algumas garantias da parte do secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes.

Uber fora do grupo de trabalho

A exclusão da empresa de serviço de transporte privado Uber do grupo de trabalho criado pelo Governo para analisar os transportes urbanos e o facto de as conclusões que este grupo de trabalho apresentar terem de ser aplicadas a todos os operadores que pretendam trabalhar no setor, à semelhança dos taxistas, são garantias que as duas associações consideram positivas.

À semelhança do que acontece na capital, o trânsito na Avenida dos Aliados foi reaberto pouco depois das 20:00, altura em que os taxistas em protesto dispersaram, informou à Lusa fonte policial.

Segundo a PSP do Porto, pelas 20:15 a situação estava “normalizada”.

No Porto, a Uber registou pelo menos três incidentes, dois com motoristas e um com uma utilizadora.

A PSP do Porto confirmou que o protesto de hoje dos taxistas contra a Uber originou, no Porto, vários incidentes que levaram a participações policiais devido a agressões e danos em viaturas.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.