A Bandeira Azul vai ser hasteada este ano em 314 praias, mais 15 atribuições do que em 2015, ultrapassando pela primeira vez a barreira das três centenas, anunciou esta sexta-feira o presidente da associação promotora em Portugal.

O galardão vai ser entregue também a 17 marinas, mais duas do que no ano passado.

No ano em que se comemoram 30 anos de Bandeira Azul, sob o mote “Trinta anos, trinta critérios, um objetivo”, José Archer referiu que o facto de a Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) atribuir mais de 300 distinções a praias é uma marca “significativa”.

Este número “representa aproximadamente 55% das praias designadas [com reconhecimento oficial] em Portugal”, colocando, percentualmente, o país no topo a nível mundial, afirmou o responsável aos jornalistas, após a conferência de imprensa de anúncio das atribuições deste ano, em Lisboa.

Em termos de valores brutos, Portugal, com 314 Bandeiras Azuis, é o quinto país com mais galardões conferidos, entre os 54 países que os atribuem, atrás da Espanha (578), Turquia (436), Grécia (395) e França (379).

Do total das bandeiras que vão ser hasteadas nas praias portuguesas, 292 são em praias costeiras e 22 são em praias fluviais, registando-se entre elas 10 que nunca tinham recebido a distinção.

Adaúfe (concelho de Braga, na região Norte); Piódão (Arganil), Bogueira (Lousã), São Pedro da Maceda (Ovar) e Torrão do Lameiro (Ovar), na região Centro; Bolestim (Vila de Rei, na zona que a associação denomina Tejo); Rocha Baixinha (Albufeira) e Amoreira Mar (Aljezur), no Algarve; Furna de Santo António (São Roque do Pico, Açores) e Cabeço da Ponta (Porto Santo, Madeira) são as novidades da lista.

Em termos de reentradas em relação ao ano passado, registaram-se 14, enquanto nove praias deixaram de ter a distinção.

A região Norte conta este ano com 69 bandeiras nas praias (mais quatro do que em 2015), o Centro ganhou cinco, tendo um total de 32, a região Tejo tem 52 (menos duas do que no ano passado) e o Alentejo 27 (mais uma do que em 2015).

O Algarve continua a ser a região do país com mais praias galardoadas, tendo agora 88 (mais três), os Açores ficam com 34 bandeiras (mais três) e a Madeira conta com 12 (mais uma).

Comparativamente ao ano passado, as marinas/portos de recreio receberam duas bandeiras a mais, perfazendo um total de 17.

As duas entradas registaram-se na Madeira – Funchal e Quinta do Lorde -, que não tinha qualquer marina distinguida em 2015.

Os Açores são a região com mais marinas galardoadas (cinco), seguida do Algarve (quatro) e do Tejo e do Alentejo (cada uma com três).

A associação revelou estarem planeadas para este verão 707 atividades de educação ambiental, em 650 praias e 57 marinas, havendo ainda concurso sobre práticas sustentáveis e códigos de conduta.

Tendo em conta os critérios de atribuição da Bandeira Azul, desde a “informação e educação ambiental”, “qualidade da água”, “gestão ambiental e equipamentos” e “segurança e serviços”, o presidente da ABAE, José Archer, considera que a possibilidade de se hastearem 314 bandeiras este ano é reflexo “de um caminho de sucesso”.

José Archer afirmou que se atingiu o objetivo de “ter a Bandeira Azul representada como uma marca de desenvolvimento sustentável, uma marca de confiança” das praias portuguesas.

As cerimónias oficiais de hastear das primeiras Bandeiras Azuis de 2016 estão programadas para 1 de junho, no concelho de Mafra, 3 de junho, no Porto de Recreio de Sines e no dia 17 de junho, em Góis.

 

Praia de Mira é a única do mundo com 30 anos consecutivos de Bandeira Azul

A Praia de Mira, distrito de Coimbra, tornou-se esta sexta-feira oficialmente a única zona balnear marítima do mundo a receber durante 30 anos consecutivos a Bandeira Azul, galardão que distingue a qualidade das praias.

A Praia de Mira conquistou a primeira Bandeira Azul em 1987, ano em que foi criado o galardão ambiental da Fundação para a Educação Ambiental, e hoje voltou a ser contemplada com galardão, pelo 30.º ano consecutivo.

Temos muito orgulho em ter uma praia que é uma referência mundial, até por ser a única com Bandeira Azul há 30 anos consecutivos", disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Mira, Raul Almeida, lembrando que o Poço da Cruz, a outra praia do concelho, foi também hoje contemplada pelo décimo ano consecutivo com o galardão.

 

Autoridades alertam para perigo de praias não vigiadas antes da época balnear

O chefe do Departamento Marítimo do Sul alertou esta sexta-feira para a importância de verificar se as praias algarvias já têm vigilância ativa, tendo em contas as previsões das condições meteorológicas para os próximos dias.

A época balnear nacional abre oficialmente a 1 de maio, mas até 1 de junho os concessionários podem optar por abrir ou não os seus estabelecimentos, e, caso não abram não são obrigados a ter vigilância nas praias, explicou o capitão Paulo Isabel.

Atendendo a que as condições oceanográficas ainda não são as mais propícias para banhos. A própria temperatura da água ainda não é a mais adequada”, disse aquele responsável.

No Algarve, o barlavento e a costa ocidental são apontadas pelas autoridades como mais perigosas, porque a água é mais fria e a ondulação mais forte, a par das pequenas enseadas não vigiadas, onde o socorro pode ser particularmente difícil.

O alerta é para este fim de semana e para aquelas praias que, durante o mês de maio não precisam [de nadadores-salvadores], porque os concessionários não quiseram abrir ainda”, vincou o capitão Paulo Isabel.

Em 2015, as praias algarvias tiveram 691 nadadores-salvadores a garantir a segurança e socorro dos banhistas.

O presidente da Associação de Nadadores-Salvadores de Faro, Vítor Santos, disse à Lusa que na última época balnear contou com 134 nadadores-salvadores que asseguraram zonas balneares do concelho de Faro, Olhão e Vila Real de Santo António.

A maior parte dos nadadores-salvadores são jovens que frequentam o ensino secundário e superior, o que coloca dificuldades para garantir a vigilância nos meses de maio, junho e setembro, por causa das aulas e da época de exames.

O grande problema que eles [concessionários] têm é quando falta um nadador-salvador. Como é que o vão substituir? Ou têm de arrear a bandeira, buscar outro, ou, eventualmente, o dono da concessão ser nadador-salvador”, observou Vítor Santos.

A garantia de substituição de um nadador-salvador que falte é um dos motivos que aquele responsável aponta para os contactos crescentes dos concessionários com aquela associação.

A nível nacional, a época balnear abre a 1 de maio e termina a 18 de outubro, mas cada município pode determinar alterações a estas datas.