Inspetores russos vão fazer voos de observação sobre o território de Portugal e Espanha ao abrigo do Tratado sobre o Regime de Céu Aberto, informou um alto responsável do Ministério da Defesa russo.

"Os voos de vigilância, com uma distância máxima de até 1.200 e 1.800 quilómetros respetivamente, serão realizados entre 29 de fevereiro e 3 de março de 2016, a partir do aeroporto de Lisboa e da Base Aérea de Getafe [Espanha]", disse Sergey Ryzhkov, chefe do Centro Nacional de Redução de Risco Nuclear, do ministério russo.

Citado pela agência russa TASS, o responsável acrescentou que os voos, a bordo de um An-30B, serão realizados numa rota acordada e especialistas italianos a bordo irão controlar o uso de equipamento de vigilância e a observação das disposições do tratado.

Estes serão o quarto e o quinto voos de observação realizados pela Rússia sobre os territórios de Estados-membros do Tratado sobre o Regime de Céu Aberto em 2016.

O Tratado sobre o Regime de Céu Aberto foi assinado em 1992 e tem 34 Estados-membros. Entrou em vigor em 2002. Os voos de vigilância são realizados sobre a Rússia, os Estados Unidos, o Canadá e os países europeus.

Os principais objetivos do tratado são promover a transparência, monitorizar o cumprimento dos acordos de controlo de armas e a expansão das capacidades para prevenir crises no quadro da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e outras organizações internacionais.

Em outubro de 2014, dois aviões militares russos entraram em espaço aéreo sob jurisdição portuguesa, uma situação que, segundo o coronel António Almeida Tomé, antigo militar da Força Aérea, «nem na Guerra fria aconteceu».